Uma ferramenta capaz de participar de milhões de decisões pode exercer uma influência difícil de comparar à de uma única pessoa. Esse é o raciocínio por trás de uma declaração de Sam Altman que voltou ao noticiário: para o executivo da OpenAI, o ChatGPT já seria, em determinado sentido, mais poderoso que qualquer ser humano que já existiu. A comparação trata principalmente do alcance do serviço.
O contexto muda o significado da frase

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“Em certo sentido, o ChatGPT já é mais poderoso que qualquer ser humano que já viveu”, escreveu Altman no ensaio The Gentle Singularity, publicado em junho de 2025.
Logo depois, ele explica seu argumento: centenas de milhões de pessoas recorrem à ferramenta para tarefas cada vez mais importantes. Assim, uma pequena melhoria pode gerar benefícios em grande escala. Pelo mesmo motivo, um pequeno desalinhamento pode produzir consequências negativas quando se repete entre tantos usuários.
A ressalva inicial é essencial. O texto apresenta uma avaliação do executivo sobre influência e distribuição, sem estabelecer uma classificação científica de inteligência entre o chatbot e todas as pessoas da história.
A reportagem do La Razón, publicada em novembro de 2026, retoma essa reflexão anterior. Portanto, a declaração não surgiu em uma nova entrevista ou no anúncio de um teste recente. Também parte de alguém diretamente interessado na expansão da tecnologia que descreve.
A influência passa pelas tarefas cotidianas
Um levantamento ajuda a dimensionar esse alcance. O estudo How People Use ChatGPT, divulgado em setembro de 2025, analisou cerca de 1,5 milhão de conversas por meio de uma metodologia desenvolvida para preservar a privacidade.
O trabalho reuniu pesquisadores da OpenAI e o economista David Deming, de Harvard. Segundo os dados, em julho daquele ano o ChatGPT ultrapassava 700 milhões de usuários semanais. Esse número retrata aquele período e não deve ser apresentado como uma contagem atual.
Aproximadamente 70% das consultas nos planos de consumo não tinham relação com o trabalho. Orientação prática, escrita e busca de informações concentravam perto de 78% das mensagens.
Esses usos ajudam a compreender o argumento de Altman. A influência de uma plataforma não depende apenas de resolver problemas extraordinários. Ela também aparece em pequenas escolhas: como redigir uma mensagem, interpretar uma informação ou organizar uma atividade.
Nesse cenário, alterações no comportamento do sistema podem atingir muitas pessoas ao mesmo tempo. Essa é uma interpretação do efeito de escala descrito pelo executivo, e não uma medida independente de “poder”.
Responder com confiança não significa acertar

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O alcance também torna a confiabilidade uma questão central. Em uma explicação sobre as alucinações dos modelos de linguagem, a própria OpenAI reconhece que o ChatGPT pode produzir afirmações plausíveis, mas falsas.
A pesquisa apresentada pela empresa argumenta que procedimentos comuns de treinamento e avaliação podem recompensar o ato de arriscar uma resposta em vez de reconhecer a incerteza. Com isso, o sistema pode parecer seguro mesmo quando erra.
O problema persiste apesar dos avanços de capacidade. Resolver tarefas complexas, portanto, não garante precisão em todas as respostas.
A combinação entre linguagem convincente e distribuição massiva ajuda a explicar a preocupação. Uma informação equivocada pode ganhar consequências maiores quando muitas pessoas a utilizam como ponto de partida. Isso não exige atribuir intenção própria ao programa: basta considerar como suas respostas entram nas decisões dos usuários.
Uma comparação sobre responsabilidade
No ensaio, Altman também defende que sistemas avançados de IA tenham acesso amplo e não concentrem seus benefícios em uma única empresa, pessoa ou país. Essas propostas integram sua visão para o futuro da tecnologia.
A frase sobre o ChatGPT funciona, assim, como uma provocação sobre responsabilidade. Quanto maior a presença de uma ferramenta na vida cotidiana, maior a importância das escolhas de quem a desenvolve e distribui. O alcance pode multiplicar uma melhoria útil — e também ampliar o efeito de uma resposta errada.
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