A Casa Branca recusou divulgar os documentos que explicam o funcionamento do sistema norte-americano de avaliação de modelos de IA antes da sua disponibilização pública. A administração de Donald Trump invocou razões de segurança nacional para impedir o acesso a 60 páginas identificadas no âmbito de um pedido de informação.

Entre os documentos encontram-se sete páginas que descrevem diretamente o mecanismo de revisão. A decisão mantém desconhecidos vários aspetos do processo, apesar de o Governo já ter apresentado às empresas tecnológicas as linhas gerais do sistema.

Casa branca oculta regras de avaliação de modelos de iaCasa branca oculta regras de avaliação de modelos de ia
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Segundo o The Washington Post, a organização Protect Democracy apresentou uma ação judicial ao abrigo da Freedom of Information Act (FOIA), a legislação norte-americana que regula o acesso a documentos públicos. O pedido foi reduzido após negociações com a Casa Branca, mas a administração acabou por recusar a divulgação de todo o material identificado.

Avaliação de modelos de IA foi anunciada em junho

O mecanismo não é uma iniciativa desconhecida. Em junho, Donald Trump assinou uma ordem executiva destinada a permitir que as autoridades norte-americanas analisassem antecipadamente os riscos de cibersegurança associados aos modelos de inteligência artificial mais avançados.

O sistema prevê que as empresas possam conceder ao Governo até 30 dias de acesso antecipado aos modelos. A Agência de Segurança Nacional (NSA) recebeu um papel central na identificação dos sistemas sujeitos a maior escrutínio.

Em agosto, a administração apresentou às empresas tecnológicas um enquadramento voluntário que, segundo as informações então divulgadas, excluía determinados modelos de pesos abertos (open-weight) das avaliações.

O mecanismo já tem aplicações concretas na indústria. A Google confirmou a participação do Gemini 4 Carbon num processo voluntário de avaliação de segurança conduzido pelo Governo norte-americano, antes de alargar a disponibilização do modelo especializado em cibersegurança.

A iniciativa procura responder aos riscos associados às capacidades dos modelos avançados para identificar vulnerabilidades e apoiar operações informáticas complexas. O objetivo declarado da administração é permitir que as autoridades antecipem ameaças à segurança nacional e às infraestruturas críticas.

Falta de transparência levanta dúvidas sobre os critérios

A recusa em divulgar os documentos impede uma avaliação independente das regras utilizadas pelo Governo.

Embora alguns elementos do mecanismo sejam conhecidos, continuam por esclarecer os critérios técnicos completos, a forma como as avaliações são conduzidas e as garantias de tratamento equivalente entre empresas.

Também não é inteiramente claro quais as consequências de uma avaliação negativa, quem toma as decisões finais ou que mecanismos permitem às empresas contestar eventuais restrições.

Estas questões têm consequências para o setor tecnológico. As empresas precisam de conhecer as condições que podem afetar a disponibilização dos seus produtos, sobretudo quando desenvolvem sistemas com capacidades avançadas de programação e cibersegurança.

A confidencialidade de determinados testes pode justificar-se quando a divulgação permite identificar vulnerabilidades ou contornar mecanismos de proteção. No entanto, a necessidade de proteger informação técnica sensível não explica, por si só, a ausência de transparência sobre as regras gerais de funcionamento e supervisão do sistema.

A Protect Democracy pretende prosseguir a disputa judicial para obter acesso à documentação. Segundo o Washington Post, a Casa Branca não respondeu ao pedido de comentário apresentado pelo jornal.

O processo poderá ajudar a esclarecer até que ponto a administração norte-americana está obrigada a explicar publicamente os critérios de um mecanismo que pode influenciar a disponibilização de alguns dos modelos de inteligência artificial mais avançados.

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