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Se ontem parecia que as águas estariam a acalmar, o mundo acordou, hoje, a saber que a Anthropic é oficialmente um risco para a segurança dos Estados Unidos da América (EUA), conforme declarado pelo Pentágono.

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Conforme está a ser avançado pela imprensa norte-americana, o Pentágono afirmou ter notificado formalmente a Anthropic PBC de que determinou que a empresa e os seus produtos representam um risco para a cadeia de fornecimento dos EUA, segundo um alto responsável da defesa.
O DOW informou oficialmente a liderança da Anthropic de que a empresa e os seus produtos são considerados um risco para a cadeia de fornecimento, com efeito imediato.
Disse o responsável, na quinta-feira, à Bloomberg News, utilizando o acrónimo do Departamento de Guerra, designação que o secretário da Defesa, Pete Hegseth, passou a preferir para o Departamento de Defesa.
Nos EUA, esta designação é normalmente reservada a empresas ligadas a países adversários, e significa que o Governo do país considera que ela pode representar uma ameaça à segurança nacional ou à fiabilidade de produtos críticos, especialmente se estiver ligada a tecnologias sensíveis ou sistemas militares.
A classificação permite que o Governo dos EUA imponha restrições, supervisione de perto ou mesmo obrigue a empresa a adaptar os seus produtos para fins militares, podendo dificultar contratos futuros ou parcerias estratégicas.
Aplicá‑la a uma empresa tecnológica norte-americana, especialmente uma cujo software está integrado em sistemas militares confidenciais, seria uma ruptura sem precedentes com a abordagem habitual.
Claude estará a ser utilizado na guerra contra o Irão
Embora o responsável da defesa tenha descrito a decisão como tendo "efeito imediato", as ferramentas de Inteligência Artificial (IA) da Anthropic, nomeadamente o Claude, continuam a ser utilizadas ativamente pelos militares dos EUA em operações contra o Irão.
Esta informação foi avançada por uma pessoa familiarizada com o assunto.

Pete Hegseth, secretário da Defesa dos EUA.
No seu aviso à empresa, na sexta-feira passada, Pete Hegseth tinha delineado um período de transição de seis meses para transferir o trabalho de IA para outros fornecedores.
Esta conclusão do Pentágono ameaça perturbar tanto a empresa como os militares, que têm dependido fortemente do software da Anthropic.
Até recentemente, a empresa fornecia o único sistema de IA capaz de operar na cloud confidencial do Pentágono. Aliás, a ferramenta Claude Gov tornou-se uma opção preferida entre o pessoal da defesa devido à facilidade de utilização.
Nas palavras de Lauren Kahn, analista sénior de investigação no Centro para Segurança e Tecnologia Emergente da Georgetown University, "é uma capacidade valiosa" e removê-la "vai ser doloroso para todos os envolvidos".

Dario Amodei, diretor-executivo da Anthropic.
Anthropic prometeu processar Pentágono
Esta classificação da Anthropic declarada pelo Pentágono representa a primeira vez que uma empresa norte-americana é carimbada como um risco para o país, pois significa que o Governo dos EUA considera que a empresa de IA não é suficientemente segura para que os seus serviços sejam utilizados.
Segundo uma pessoa familiarizada com as discussões, citada pela BBC, dentro da Anthropic a perceção é de que a empresa é mal vista por alguns membros da administração de Donald Trump, já que o seu diretor-executivo não está entre os líderes tecnológicos que doaram grandes quantias ao então eleito Presidente dos EUA ou o elogiaram publicamente.
Entretanto, na noite de ontem, a empresa escreveu que iria avançar para contestar a decisão do Pentágono em tribunal: "Não acreditamos que esta ação tenha base legal e não vemos outra alternativa senão contestá-la em tribunal".
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