Anthropic revela lista de empregos que a IA não conseguirá substituir - Sem Enrolação

Anthropic revela lista de empregos que a IA não conseguirá substituir

Anthropic revela lista de empregos que a IA não conseguirá substituir

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Apesar de partirem de vários executivos e nem sempre coincidirem, as previsões costumam mostrar aquilo que quem está nos meandros da tecnologia espera para o futuro da inovação e da sociedade. Neste caso, o prognóstico da Anthropic baseia-se numa nova investigação da empresa, que revela os empregos que a Inteligência Artificial (IA) não conseguirá substituir, bem como os que estão em risco.

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Desde a substituição total até uma contribuição para a melhoria dos fluxos de trabalho, as opiniões sobre o impacto da IA na empregabilidade divergem.

Curiosamente, as previsões não partem apenas de quem desenvolve a tecnologia e conhece as suas capacidades, mas, também, daqueles que já reconhecem nela atributos importantes, capazes de fazer o trabalho dos seus funcionários - ou o seu próprio.

Desta vez, a previsão chega da Anthropic e mostra um cenário mais complexo do que aquele que muitos alarmistas costumam pintar.

Anthropic Economic Index

Uma nova investigação conduzida pela empresa de IA introduz uma métrica chamada "exposição observada", que acompanha a forma como o Claude está a ser utilizado em locais de trabalho reais, indo além daquilo que poderia teoricamente fazer.

De facto, estas duas métricas são muito diferentes e é nessa diferença que milhões de empregos se mantêm relativamente seguros.

Para a sua análise, a equipa da Anthropic utilizou três fontes:

  1. Base de dados O*NET, que cobre cerca de 800 profissões nos Estados Unidos;
  2. Registos próprios de utilização do Claude;
  3. Enquadramento académico de 2023 que avalia se uma IA consegue reduzir para metade o tempo necessário para concluir uma tarefa.

Depois, cada profissão recebeu uma pontuação: uma pontuação elevada significa que a IA já está a realizar uma parte significativa das tarefas desse trabalho; e zero significa que não aparece nos dados de utilização.

Teoricamente, a IA poderia lidar com 90% das tarefas em funções administrativas e de escritório. Contudo, na prática, a utilização observada cobre apenas cerca de um terço dos empregos nas áreas da informática e de matemática, que já são a categoria mais penetrada. A diferença entre capacidade e realidade é efetivamente enorme.

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Capacidade teórica e exposição observada por categoria de ocupação. Percentagem de tarefas que os modelos de linguagem poderiam teoricamente executar (área azul) e a medida de cobertura de tarefas da Anthropic derivada dos dados de utilização (área vermelha). Crédito: Anthropic

Os programadores informáticos lideram a lista, com 75% de cobertura de tarefas. O Claude está a ser amplamente utilizado para programação, e essa utilização tende para automação completa, não apenas para ajudar programadores a trabalhar mais depressa.

Os assistentes de apoio ao cliente surgem em segundo lugar, com as empresas a substituir discretamente agentes humanos por sistemas de IA.

Em terceiro lugar, os trabalhadores de introdução de dados, com 67% de cobertura: ler documentos e introduzir dados é exatamente o tipo de tarefa que a IA executa de forma rápida e barata, e as empresas já o perceberam.

Outras profissões com elevada exposição incluem:

  • Analistas financeiros, cujo trabalho de modelação e análise de números é fortemente coberto;
  • Administradores de escritório, que enfrentam 90% de exposição teórica, mesmo que a adoção real ainda esteja atrasada;
  • Trabalhadores das áreas da informática e matemática em geral, onde a exposição observada ronda os 33% e continua a aumentar.
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Diferenças entre trabalhadores com exposição elevada e baixa à IA, segundo o Current Population Survey. Crédito: Anthropic

Os intocáveis pela IA

Cerca de 30% dos trabalhadores nos Estados Unidos têm uma pontuação de zero, o que significa que as suas tarefas não aparecem nos dados de utilização da IA de forma relevante.

Um modelo de linguagem não tem corpo, nem mãos, nem instinto, e estas profissões são construídas em torno de presença física e senso comum:

  • Cozinheiros, cujo trabalho envolve técnicas de corte, degustação e apresentação que nenhum modelo consegue replicar;
  • Mecânicos de motociclos, que diagnosticam motores através de inspeção prática;
  • Nadadores-salvadores, cuja função inclui vigiar a água e executar resgates físicos;
  • Bartenders, que interpretam o ambiente social e a dinâmica das multidões em tempo real;
  • Lavadores de loiça e assistentes de balneário, que lidam com tarefas físicas, molhadas e imprevisíveis;
  • Trabalhadores agrícolas, que podam árvores e operam maquinaria agrícola ao ar livre;
  • Advogados em tribunal, cujo trabalho exige presença física e defesa oral ao vivo.

De facto, o Bureau of Labor Statistics prevê um crescimento constante para profissões manuais ao longo da década.

O setor da saúde, por exemplo, está a acrescentar cerca de 40.000 empregos por mês, nos Estados Unidos, com a procura por enfermeiros, terapeutas e cuidadores muito acima de qualquer substituição provocada pela IA.

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Início de novos empregos entre trabalhadores dos 22 aos 25 anos em ocupações com elevada exposição observada e sem exposição à IA, de acordo com o Current Population Survey. O painel superior mostra a percentagem de jovens trabalhadores que iniciaram novos empregos em ocupações com elevada versus nenhuma exposição; o painel inferior mede a diferença entre estas duas séries num modelo de difference-in-differences. Crédito: Anthropic

Jovens altamente afetados pela IA

Relativamente aos trabalhadores mais afetados pela IA, dados do Current Population Survey relativos ao final de 2022, imediatamente antes do lançamento do ChatGPT, apontam para os mais velhos, mais qualificados, maioritariamente mulheres e significativamente melhor pagos, a ganhar cerca de 47% mais do que os trabalhadores com exposição zero.

Curiosamente, apesar de as vagas de automação anteriores terem atingido primeiro os trabalhadores com salários mais baixos, o padrão parece estar diferente, apontando diretamente para profissionais de escritório que passaram anos e dinheiro a construir qualificações para carreiras administrativas.

A mudança começa logo na contratação: entre trabalhadores com idades entre os 22 e os 25 anos, a taxa mensal de obtenção de emprego em profissões altamente expostas caiu cerca de 14% desde a chegada do ChatGPT.

Os investigadores da Anthropic sublinham que estas conclusões não são um veredicto. Planeiam continuar a atualizar as métricas de cobertura à medida que os dados de utilização evoluem, bem como acompanhar de perto se a desaceleração na contratação de jovens se aprofunda.

 

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