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Estivemos recentemente em Douai, no norte de França, para conhecer uma das fábricas mais avançadas do grupo Renault. Fomos ver onde são produzidos alguns dos seus mais recentes veículos elétricos, mas sobretudo perceber como a robótica, a inteligência artificial (IA) e a análise de dados estão a alterar a produção automóvel.

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Uma fábrica histórica totalmente reinventada
Inaugurada em 1970, a fábrica de Douai foi responsável pela produção de alguns dos modelos mais emblemáticos da Renault ao longo das últimas décadas, incluindo várias gerações do Renault 5, Mégane, Scénic, Espace e Talisman.
Nos últimos anos, porém, o complexo passou por uma transformação. Desde 2023, toda a produção está dedicada exclusivamente a veículos elétricos, integrando a ElectriCity, o maior polo europeu de produção de automóveis elétricos do Renault Group.
Atualmente, na mesma linha de montagem são produzidos seis modelos diferentes:
- Renault Mégane E-Tech Electric;
- Renault Scénic E-Tech Electric;
- Renault 5 E-Tech;
- Alpine A290;
- Nissan Micra (nova geração);
- Mitsubishi Eclipse Cross elétrico.

Renault Mégane E-Tech Electric
Os números impressionam
Douai conta atualmente com cerca de 2800 colaboradores e produz aproximadamente 950 veículos por dia, distribuídos por dois turnos diurnos e um turno noturno. Desde a sua abertura, já saíram desta unidade mais de 10 milhões de automóveis.
Mas são os números relacionados com a digitalização que mais chamam a atenção. Mais de 3200 equipamentos estão ligados em rede, permitindo recolher diariamente cerca de 400 milhões de pontos de dados.
Toda essa informação é utilizada para monitorizar a produção em tempo real, antecipar necessidades de manutenção e otimizar continuamente os processos industriais. Cada veículo passa ainda por mais de 600 verificações de qualidade antes de abandonar a linha de produção.

Calvin: o robô do Renault Group que quer trabalhar ao lado das pessoas
O grande destaque do evento foi, sem dúvida, o Calvin, um robô humanoide desenvolvido pelo Renault Group em parceria com a empresa francesa Wandercraft. Ao contrário dos tradicionais braços robotizados, fixos e dedicados a uma única operação, o Calvin foi concebido para se movimentar autonomamente dentro da fábrica e colaborar diretamente com os operadores.
O seu objetivo não passa por substituir trabalhadores, mas sim por assumir algumas das tarefas mais exigentes do ponto de vista físico, repetitivas ou potencialmente perigosas.
O primeiro projeto-piloto está precisamente a decorrer em Douai, onde o robô auxilia na montagem das rodas dos veículos, uma operação que exige o manuseamento constante de componentes pesados ao longo de todo o turno.
Aquilo que torna o Calvin particularmente interessante é a sua versatilidade. Graças a um conjunto de sensores e sistemas de visão computacional, consegue interpretar o ambiente à sua volta, identificar objetos, adaptar os seus movimentos e deslocar-se de forma autónoma entre diferentes áreas da fábrica.
Na prática, representa uma evolução enorme relativamente aos robôs industriais convencionais, que continuam a ser extremamente eficientes em tarefas repetitivas, mas permanecem limitados ao espaço onde estão instalados.

O Calvin está ainda numa fase inicial de implementação, mas os planos da Renault são claros. Até ao final de 2026 deverão estar em funcionamento cerca de 10 robôs deste tipo. O objetivo passa por aumentar esse número para 350 unidades até ao final de 2027, distribuídas pelas fábricas francesas e espanholas do grupo.
A IA já faz parte da linha de montagem
Embora o Calvin seja a imagem mais visível desta evolução, a IA está presente em praticamente toda a fábrica. Os sistemas de visão ajudam na inspeção de qualidade, orientam robôs durante diferentes operações e permitem recalibrar automaticamente determinados equipamentos.
Ao mesmo tempo, a enorme quantidade de dados recolhida diariamente é utilizada para prever falhas antes que estas ocorram, otimizar fluxos de produção e melhorar continuamente o desempenho da fábrica.
É um exemplo claro de como a IA deixou de ser apenas um conceito associado ao software para passar a desempenhar um papel fundamental na indústria.

Uma aposta com ambição
A visita a Douai mostrou-nos que o futuro da indústria automóvel não depende apenas da eletrificação dos veículos. A transformação está também a acontecer dentro das próprias fábricas, onde a robótica colaborativa, a IA, a análise massiva de dados e a automação inteligente começam a desempenhar um papel cada vez mais importante.
O Calvin é apenas a face mais visível desta mudança, mas representa uma tendência muito mais abrangente: preparar as fábricas para uma nova geração de veículos.
Se Douai servir de exemplo para aquilo que o Renault Group pretende implementar nas restantes unidades industriais, estamos perante uma mudança que poderá marcar os próximos anos da indústria automóvel europeia.
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