Faculdade de Direito proíbe portáteis e telemóveis nas aulas para travar a IA - Sem Enrolação

Faculdade de Direito proíbe portáteis e telemóveis nas aulas para travar a IA

Faculdade de Direito proíbe portáteis e telemóveis nas aulas para travar a IA

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A partir deste outono, os alunos do primeiro ano da Faculdade de Direito da Universidade de Chicago ficam proibidos de usar portáteis, tablets e telemóveis nas aulas obrigatórias, numa tentativa de recuperar competências de raciocínio “essencialmente humanas”.

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Uma resposta direta à IA nas salas de aula

A medida foi anunciada na semana passada pela Faculdade de Direito da Universidade de Chicago (UChicago Law) e insere-se numa estratégia mais ampla para a era da IA, desenvolvida ao longo do último ano com contributos de professores, alunos, antigos alunos e responsáveis de escritórios de advocacia.

Segundo a instituição, a proibição de dispositivos eletrónicos nas cadeiras nucleares do primeiro ano, como Direito Constitucional, Responsabilidade Civil e Propriedade, visa garantir que os estudantes "aprendem realmente a pensar de forma crítica, estratégica e independente, sem depender da IA", antes de lhes ensinar a usar essas ferramentas mais tarde no curso.

À Reuters, o reitor, Adam Chilton, afirmou desconhecer qualquer outra escola de Direito com uma proibição total de portáteis e telemóveis no primeiro ano.

A Universidade da Califórnia, em Berkeley, já tinha avançado, em maio, com regras que limitam fortemente o uso de IA por parte dos alunos, mas a abordagem de Chicago é ainda mais restritiva.

Como vai funcionar na prática

Nas aulas obrigatórias do primeiro ano, os professores poderão nomear "escribas", alunos designados que usam um dispositivo eletrónico para tirar notas partilhadas com toda a turma, já que ninguém mais poderá fazê-lo.

Estudante/aluno no PC

Todos os exames dessas cadeiras serão realizados presencialmente, sem acesso à Internet, a ficheiros eletrónicos ou a aplicações.

Já a cadeira de investigação e redação jurídica, também obrigatória, vai incorporar a IA de forma faseada: primeiro os alunos escrevem sem qualquer apoio tecnológico e só depois passam a usar IA para pesquisa, revisão e preparação de argumentações orais.

Para as cadeiras opcionais, os professores poderão definir as suas regras, ainda que a proibição de dispositivos e os exames presenciais continuem a ser a opção padrão.

Faculdade diz que não está a fechar a porta à IA

Apesar da dureza da medida, a faculdade garante que não está a rejeitar a IA. Afinal, Chicago mantém cursos avançados sobre IA e um laboratório onde os alunos aprendem a desenvolver ferramentas próprias.

Segundo Chilton, o objetivo é assegurar que essa aprendizagem não compromete competências fundamentais.

A IA obriga-nos a perguntar: quais são as capacidades essencialmente humanas que devemos treinar e que a IA não consegue substituir?

O reitor admite que a reação dos futuros alunos deverá ser mista, mas nota que proibições semelhantes já aplicadas por professores individuais foram, no final, bem recebidas por quem sentiu maior concentração nas aulas.

A decisão de Chicago surge num contexto mais alargado de desconfiança crescente em torno da IA no ensino superior.

 

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