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Para a sua primeira publicação de sempre no X (antigo Twitter), em jeito de carta aberta, o diretor-executivo da NVIDIA decidiu apelar a que os Estados Unidos não travem os modelos de Inteligência Artificial (IA) open-weight, tal como quase aconteceu com o software open-source na década de 1980.

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O diretor-executivo da NVIDIA partilhou uma carta aberta assinada inicialmente por cerca de 25 empresas, entre as quais a própria NVIDIA, a Microsoft, a Meta, a Palantir, a Hugging Face, a Andreessen Horowitz e a IBM.
O documento defende que os modelos de IA open-weight e open-source devem ser preservados como base da liderança tecnológica norte-americana.
Os modelos abertos reforçam a segurança e a cibersegurança, aceleram a inovação e a sua difusão, e permitem soberania.
Escreveu Jensen Huang na publicação, defendendo que "o mundo precisa tanto de modelos fechados de topo como de modelos abertos de topo".
For my first post, I’m sharing a letter @NVIDIA signed on why open models matter.
AI will transform every industry, power every company, and be built by every country.
Open models strengthen safety and cybersecurity, accelerate innovation and diffusion, and enable sovereignty.… pic.twitter.com/t02bi51N4C
— Jensen Huang (@JensenHuang) July 24, 2026
NVIDIA fez um paralelo com a década de 1980
A comparação que Huang remonta à década de 1980, quando muitos temiam que a abertura do código-fonte de software fosse uma ameaça económica e de segurança.
Décadas depois, o open-source tornou-se a espinha dorsal da Internet moderna, sustentando desde grandes empresas tecnológicas até ao próprio exército norte-americano.
A carta assenta em três argumentos principais:
- Os modelos abertos democratizam o acesso a startups e universidades que não conseguem pagar pelos modelos fechados mais avançados;
- Evitam que um pequeno grupo de empresas controle toda a tecnologia;
- Tornam os sistemas mais seguros, uma vez que permitem que mais investigadores auditem o código e corrijam falhas, ao contrário dos modelos fechados, descritos como "pontos únicos de falha".
O documento defende ainda a destilação, ou seja, a técnica de treinar um modelo a partir das respostas de outro, como uma prática legítima de investigação, e não um "roubo", tema que continua a gerar controvérsia no setor.

Um modelo grande e complexo (o professor) transfere o seu conhecimento para um modelo mais pequeno e mais eficiente (o aluno).
Aliás, a publicação surge numa altura em que os Estados Unidos debatem se devem restringir o acesso a modelos chineses open-weight, como o Kimi K3 da Moonshot AI, lançado a 16 de julho e já considerado um dos mais capazes do mundo.
O próprio conselheiro da Casa Branca, Michael Kratsios, acusou a Moonshot de ter recorrido a destilação para copiar, em grande escala, o modelo Fable, da Anthropic.
Uma semana antes da publicação de Jensen Huang, o presidente chinês Xi Jinping discursou na World AI Conference, em Xangai, defendendo a mesma bandeira da "abertura" e pedindo para não se "esticar demasiado o conceito de segurança nacional" no campo da IA.
No dia anterior, 29 países, incluindo Rússia, Brasil, Indonésia e Paquistão, assinaram, em Xangai, a criação da WAICO, um novo organismo de governação de IA pensado para rivalizar com a liderança norte-americana.

A indústria está dividida
Curiosamente, o posicionamento do diretor-executivo da NVIDIA aproxima-se mais do discurso de Pequim do que da postura mais defensiva de empresas como a Anthropic, que já alertou para os riscos de modelos chineses open-weight excessivamente competitivos.
Aliás, no dia seguinte à publicação de Huang, a lista de signatários da carta duplicou, passando de 25 para 50 empresas, com a chegada de nomes como OpenAI, Google, AMD e Cisco. Nomes como a Anthropic e a Amazon continuam de fora.
Esta não é a primeira vez que Jensen Huang assume esta posição, já tendo afirmado que "a China vai vencer a corrida da IA" e elogiado os modelos abertos chineses, considerando-os "excelentes".
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