
Continua após a publicidade
A Comissão Europeia está a construir uma das maiores infraestruturas de imagem médica do mundo dedicada ao cancro. O objetivo é juntar dados de hospitais espalhados pela Europa numa única plataforma e usar Inteligência Artificial (IA) para ajudar médicos a diagnosticar mais depressa e com mais precisão.

Continua após a publicidade
Chama-se European Cancer Imaging Initiative e é uma das principais ações do plano europeu de luta contra o cancro.
O objetivo é que, em vez de cada hospital ou centro de investigação guardar as suas imagens médicas isoladamente, a União Europeia (UE) quer ligar tudo numa rede segura, acessível a investigadores e clínicos de qualquer país europeu.
Isto é particularmente relevante, pois os modelos usados em diagnóstico por imagem precisam de grandes quantidades de dados para serem treinados e validados, e era isso que faltava até agora, com informação dispersa por dezenas de repositórios diferentes.
A plataforma Cancer Image Europe
No centro de tudo está a plataforma Cancer Image Europe, desenvolvida no âmbito do projeto European Federation for Cancer Images (EUCAIM), com 18 milhões de euros de financiamento europeu.
Os números, atualizados a setembro de 2025, revelam que a infraestrutura liga 83 conjuntos de dados de imagem, cobrindo nove tipos de cancro, com cerca de 107 mil pacientes representados.
Sobre esses dados, estão disponíveis 50 ferramentas de IA, usadas por 203 investigadores e clínicos registados em 16 países.
Entretanto, até ao final de 2026, a Comissão Europeia espera que a plataforma ultrapasse os 100 mil casos e chegue aos 60 milhões de imagens, com pelo menos 30 entidades de 15 países diferentes a partilhar dados.

Porque é que isto importa?
A promessa por detrás deste projeto assenta no facto de que mais dados partilhados (e bem protegidos) significam algoritmos de IA mais fiáveis, testados em populações mais diversas, o que reduz enviesamentos e aumenta a confiança clínica nestas ferramentas.
A iniciativa também está a alargar-se a áreas específicas do rastreio oncológico:
- O projeto BreastScan está a construir uma base de dados dedicada ao cancro da mama, juntando 14 instituições de nove países da UE;
- O projeto UNICA vai acrescentar dados de rastreio de mama, pulmão e próstata à infraestrutura, com centros médicos de sete países, incluindo Portugal.
Há ainda um objetivo mais amplo de apoiar a criação de uma rede europeia de centros avançados de rastreio potencializados por IA, no âmbito da estratégia Apply AI da UE, para acelerar a adoção destas tecnologias na prevenção e diagnóstico de cancro em toda a Europa.
Para 2026, o objetivo é consolidar a plataforma como referência europeia para validação de IA em imagiologia médica. Se os números continuarem a crescer ao ritmo atual, a Europa pode estar a construir uma das bases de dados de imagem oncológica mais robustas do mundo, com a saúde dos cidadãos europeus no centro da equação.
Saiba mais sobre Inteligência Artificial
Publicidade






