
Continua após a publicidade
A corrida à Inteligência Artificial (IA) está a ter um efeito colateral inesperado no bolso dos consumidores, com os preços de tablets, consolas e portáteis a subirem consideravelmente há vários meses. A culpa é da escassez de memória. Assim sendo, o que deve saber antes de comprar o seu próximo dispositivo?

Continua após a publicidade
Quem achava que os preços da tecnologia já estavam altos deve preparar-se, pois vão continuar a subir. O motivo está longe do consumidor comum, residindo nos centros de dados que alimentam a atual febre da IA.
Uma vez que estas infraestruturas precisam de enormes quantidades de memória para processar dados a alta velocidade, essa procura disparou nos últimos tempos.
Assim, fabricantes como Micron, Samsung e SK Hynix estão a aproveitar o momento, mas não têm capacidade de produção suficiente para satisfazer simultaneamente os centros de dados e o mercado de consumo.
O resultado é uma escassez que já está a refletir-se nos preços de produtos da Apple, da Microsoft e da Nintendo, entre outras marcas.
Segundo os especialistas, não há solução no curto prazo. A situação deverá manter-se, no mínimo, até 2028, altura em que as grandes fabricantes de memória esperam ter novas fábricas operacionais. Ainda assim, há analistas que acreditam que os preços podem nunca voltar aos níveis anteriores à crise.
Numa comunicação interna aos funcionários sobre despedimentos e mudanças estruturais, a responsável pela divisão Xbox da Microsoft chegou mesmo a descrever este momento como uma das crises de hardware mais graves de sempre.
This is an important email I sent today to all employees at XBOX:
Team,
We are beginning the most significant restructure in XBOX history. After careful consideration, I've made the difficult decision to reduce our team by approximately 3,200 throughout FY27. This will include…
— ASHA (@asha_shar) July 6, 2026
Que produtos estão a ficar mais caros
Consolas, tablets e portáteis são os mais afetados. De facto, a PlayStation 5, Nintendo Switch 2, Valve Steam Deck e vários modelos de iPad e MacBook já sofreram aumentos de preço nos últimos meses.
Em julho, a Microsoft também anunciou que ia subir os preços da Xbox este mês.
Este cenário deverá pesar nas vendas de smartphones e computadores portáteis a nível global. Segundo dados da consultora International Data Corporation (IDC), as previsões apontam para uma queda de 11,3% nos envios de PC em 2026, enquanto o setor dos smartphones deverá registar a maior quebra anual de sempre.
Apesar disso, dispositivos como smartwatches e auriculares sem fios deverão escapar em grande parte a estes aumentos, uma vez que exigem muito menos memória.
Quanto aos restantes produtos premium, a expectativa é de que o pior já tenha passado, ou seja, os preços continuarão a subir, mas a um ritmo mais lento do que nos últimos meses.

O que os especialistas aconselham antes de comprar
Perante este cenário, vários analistas citados pela CNN aconselham a antecipar compras já planeadas. Mesmo que os preços dos componentes de memória comecem a baixar, essa descida só deverá chegar ao consumidor final passado, pelo menos, um ano.
Convém, no entanto, evitar comprar um produto mesmo antes do lançamento da sua versão seguinte. As marcas tendem a manter calendários de lançamento bastante regulares:
- iPhone, em setembro
- iPad e Mac, em março ou outubro
- Samsung Galaxy, no primeiro trimestre do ano
- Google Pixel, em agosto
- Portáteis em geral, em janeiro ou junho
Ainda que a Apple não tenha, para já, aumentado o preço do iPhone, há analistas que estimam que a marca precisaria de subir entre 250 e 300 dólares para manter as suas margens de lucro.
Outra alternativa passa pelo mercado de produtos recondicionados. Empresas como Amazon, Apple e Samsung têm programas próprios de venda de equipamento usado ou devolvido, testado e inspecionado antes de voltar à venda, normalmente a preços mais baixos.
Segundo especialistas do setor, o desempenho destes dispositivos costuma ser muito semelhante ao de um equipamento novo.
Ainda assim, vale a pena evitar modelos já com várias gerações de atraso, para não ser necessário trocar de equipamento outra vez a curto prazo.
Para quem só precisa de manter o telemóvel atual, comprar mais armazenamento na cloud ou substituir a bateria pode ser suficiente para adiar a compra de um novo aparelho.
Leia também:
Saiba mais sobre Inteligência Artificial
Publicidade






