
Continua após a publicidade
Perante um diagnóstico de cancro terminal para a sua cadela Rosie e sem soluções eficazes na medicina veterinária convencional, um engenheiro de dados australiano decidiu seguir um caminho pouco comum: recorrer à inteligência artificial (IA), mais especificamente ao ChatGPT, para explorar alternativas.

Continua após a publicidade
ChatGPT ajuda a encontrar vacina para o cancro de uma cadela
Paul Conyngham, profissional de ciência de dados com quase duas décadas de experiência, não tem formação em biologia ou medicina. Ainda assim, quando Rosie foi diagnosticada com um mastocitoma - um tipo agressivo de cancro de pele - decidiu investigar por conta própria.
Começou por usar o ChatGPT como assistente de investigação, que o ajudou a estruturar ideias e a explorar o campo da imunoterapia, além de o encaminhar para o Centro Ramaciotti de Genómica da Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW).
Determinando-se a avançar, Conyngham investiu cerca de 3000 dólares na sequenciação genética do tumor da cadela. Apesar da relutância inicial, os investigadores aceitaram colaborar. Com os dados em mãos, recorreu a ferramentas de IA, como o AlphaFold, para analisar mutações e identificar possíveis alvos terapêuticos. Com base nessa análise, apresentou hipóteses e opções de tratamento à equipa científica.
O primeiro plano falhou quando o fabricante de um fármaco promissor recusou fornecê-lo para aquele uso. Perante isso, surgiu uma nova abordagem: o desenvolvimento de uma vacina personalizada de ARNm. Conyngham abraçou a ideia, mas enfrentou outro desafio - obter aprovação ética. Após dois meses de trabalho e um documento extenso, conseguiu autorização para avançar.

Avanços e o estado atual
A vacina foi então produzida por investigadores da UNSW e administrada por uma especialista em imunoterapia canina. Os primeiros resultados foram encorajadores: um dos tumores reduziu significativamente, e Rosie apresentou melhorias visíveis no estado geral.
Apesar do progresso, o tratamento não representou uma cura. Um segundo tumor não respondeu à vacina, e o caso permanece isolado, sem validação por ensaios clínicos ou dados de longo prazo. O próprio Conyngham reconhece que o objetivo foi ganhar tempo e qualidade de vida para a sua cadela - algo que acredita ter conseguido graças ao ChatGPT.
Este caso destaca o potencial da chamada "ciência cidadã", onde indivíduos com competências técnicas contribuem para a investigação científica. Ainda assim, o sucesso dependeu não só da sua experiência em dados, mas também da colaboração com especialistas em imunologia e biotecnologia.
Embora a aplicação em humanos seja complexa e exija processos rigorosos, a história de Rosie sugere que IAs como o ChatGPT podem acelerar descobertas e tornar a investigação mais acessível. O trabalho continua: já está em desenvolvimento uma segunda vacina, direcionada ao tumor que não respondeu ao primeiro tratamento.
Leia também:
Saiba mais sobre Inteligência Artificial
Publicidade






