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A administração americana acusa a tecnológica chinesa DeepSeek de contornar sanções ao utilizar hardware de última geração para treinar os seus modelos de inteligência artificial (IA). O incidente coloca em causa a eficácia das restrições comerciais impostas por Washington para conter o avanço tecnológico de Pequim.

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DeepSeek usa chips Blackwell da Nvidia
Embora não tenha sido detalhado como a empresa obteve os componentes, o funcionário foi categórico ao afirmar que não houve autorização para o envio de unidades Blackwell para a China. Suspeita-se ainda que a DeepSeek esteja a remover marcadores técnicos que permitam identificar a origem americana dos semicondutores.
Até ao momento, nem o Departamento de Comércio dos EUA nem a DeepSeek emitiram comentários oficiais. Contudo, a embaixada da China em Washington reagiu prontamente, manifestando-se contra a criação de barreiras ideológicas e o uso excessivo do conceito de segurança nacional para politizar questões comerciais e tecnológicas.
Este cenário surge num momento de profunda divisão entre os decisores políticos americanos:
- De um lado, os setores mais conservadores defendem que os processadores avançados podem ser facilmente desviados para fins militares, ameaçando a supremacia dos EUA.
- Do outro, David Sacks, o responsável pela IA na Casa Branca, e Jensen Huang, CEO da Nvidia, argumentam que impedir a venda de hardware à China apenas motiva empresas como a Huawei a acelerar o desenvolvimento de alternativas locais competitivas.

O historial de restrições
A trajetória das políticas de exportação tem sido marcada por avanços e recuos. Em agosto, Trump chegou a considerar a venda de uma variante simplificada do Blackwell para o mercado chinês, decisão que acabou por reverter. Mais tarde, em dezembro, permitiu o envio do H200 - o segundo chip mais potente da Nvidia -, o que gerou críticas internas.
No entanto, mesmo essas remessas encontram-se atualmente retidas devido a complexos entraves regulamentares.
Para além da questão física dos chips, as autoridades americanas acreditam que o cluster de hardware da DeepSeek está localizado num centro de dados na Mongólia Interior. O treino deste modelo terá recorrido a uma técnica designada por "destillation".
Neste processo, um modelo de IA já estabelecido e potente refina as respostas de um modelo mais recente, transferindo conhecimento de forma eficiente. Segundo as alegações, a DeepSeek terá utilizado modelos da OpenAI, Google, Anthropic e xAI para este fim.
O desafio que se coloca aos decisores nos Estados Unidos ultrapassa o caso de uma única startup; reside na dúvida sobre se os controlos de exportação, desenhados para proteger a vantagem competitiva americana, são ainda um instrumento eficaz no atual panorama geopolítico.
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