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O setor financeiro global está a entrar numa nova fase de automatização, liderada pelo JPMorgan Chase e pela visão estratégica de Jamie Dimon. A instituição está a converter a ameaça da inteligência artificial (IA) numa oportunidade de reorganização interna e eficiência operacional.

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Estratégias de "reafetação" interna no JPMorgan Chase
Jamie Dimon, o líder do maior banco do mundo em capitalização de mercado, revelou recentemente que a IA já está a moldar profundamente a força de trabalho da empresa. Durante um encontro com investidores, o gestor sublinhou que o banco está a implementar planos de "reafetação em massa" para os colaboradores cujas tarefas estão a ser assumidas pela tecnologia.
De acordo com Dimon, a instituição tem vindo a transferir profissionais deslocados pela IA para novas funções dentro da organização. O objetivo passa por estar "totalmente reconfigurado" para a era da IA, utilizando ferramentas avançadas de empresas como a OpenAI e a Anthropic através do seu portal interno de IA.
A transição já é visível nos dados mais recentes da empresa. Embora o número total de funcionários tenha permanecido estável nos 318.512, houve uma mudança interna significativa: o pessoal dedicado a operações e suporte recuou 4% e 2%, respetivamente. Em contrapartida, as áreas focadas no atendimento ao cliente e na geração de receita registaram um crescimento de 4%.

Impacto da IA na eficiência e na produtividade tecnológica
A aplicação da IA não se resume à alteração de cargos; ela traduz-se em números de produtividade concretos. A tecnologia permitiu que cada funcionário da área operacional conseguisse gerir mais 6% de contas do que anteriormente. Além disso, o custo unitário associado ao tratamento de fraudes registou uma quebra de 11%, enquanto os engenheiros de software do banco tornaram-se 10% mais eficazes.
Jeremy Barnum, o diretor financeiro (CFO) do JPMorgan, reforçou que o banco duplicou o número de casos de uso de IA generativa no último ano. O foco atual incide particularmente no apoio ao cliente e na assistência aos profissionais do departamento tecnológico.
Apesar do otimismo quanto à eficiência bancária, Jamie Dimon não esconde o receio quanto ao impacto da IA na sociedade em geral. O CEO comparou a magnitude desta revolução tecnológica à invenção da eletricidade ou da imprensa, alertando para o risco de desemprego estrutural em diversas profissões.
Num exercício de reflexão, Dimon questionou o que aconteceria se veículos autónomos substituíssem subitamente milhões de motoristas, forçando-os a aceitar trabalhos com remunerações muito inferiores. Perante este cenário, o líder do JPMorgan defende que tanto o setor privado como os governos devem começar a planear soluções agora, investindo na formação e no apoio aos trabalhadores que serão inevitavelmente afetados por esta vaga de inovação.
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