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monetizar ou garantir a confiança dos utilizadores?

monetizar ou garantir a confiança dos utilizadores?

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Durante décadas, a publicidade foi o motor silencioso que sustentou grande parte da internet gratuita que hoje utilizamos. Contudo, a ascensão dos chatbots e dos motores de pesquisa baseados em inteligência artificial (IA) está a forçar uma reavaliação deste modelo, colocando em colisão a sustentabilidade financeira e a confiança do utilizador.

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A batalha entre a monetização por publicidade e a confiança do utilizador

Nos últimos meses, assistimos a uma crescente polarização entre as grandes empresas de tecnologia. De um lado, estão as que defendem a introdução de publicidade como forma de financiar os seus produtos gratuitos; do outro, as que a rejeitam categoricamente, temendo que a presença de anúncios possa comprometer a credibilidade das respostas geradas pela IA.

O que está em jogo não é apenas um modelo de negócio, mas a própria natureza da relação que se pretende construir com os utilizadores, num momento em que a indústria precisa de provar a sua viabilidade a longo prazo.

Um dos exemplos mais claros desta divisão é a Perplexity. A empresa chegou a testar a exibição de respostas patrocinadas em 2024, mas reverteu a decisão no final do ano passado, afirmando não ter planos para retomar essa abordagem.

A justificação é clara:

O utilizador deve acreditar que esta é a melhor resposta possível para continuar a usar o produto e estar disposto a pagar por ele.

Afirmou um executivo ao Financial Times. A conclusão interna foi que, se os anúncios levantarem dúvidas sobre a imparcialidade das respostas, o valor intrínseco do serviço fica comprometido.

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A Anthropic declara guerra à publicidade na IA

Seguindo uma linha semelhante, a Anthropic não só se opõe à publicidade no seu chatbot, Claude, como transformou essa decisão num pilar da sua comunicação. A empresa lançou uma campanha de marketing antes da Super Bowl com o slogan direto: "Os anúncios estão a chegar à IA. Mas não ao Claude".

A campanha satirizava a inserção de recomendações comerciais em conversas pessoais, sublinhando o desconforto que tal cenário poderia gerar e posicionando-se como uma alternativa focada na integridade.

Sam Altman, CEO da OpenAI, não tardou a reagir, classificando a campanha da Anthropic como "claramente desonesta". Defendeu que o modelo com anúncios que a sua empresa explora seguiria princípios diferentes, com publicidade "separada e claramente identificada", sem qualquer influência nas respostas do sistema.

Altman enquadrou a questão como uma matéria de acesso universal, argumentando que a oferta de IA gratuita em larga escala exige novas fontes de receita. Contrapôs a sua visão à da Anthropic, que, segundo ele, oferece um produto caro para uma elite, enquanto a OpenAI procura alcançar uma audiência massiva.

A verdade é que treinar e manter estes sistemas de IA acarreta custos astronómicos. Neste contexto, vários intervenientes importantes, como a Google, estão a explorar ativamente a publicidade como forma de financiar o acesso gratuito. Embora a Google tenha realizado testes com anúncios nos resultados de pesquisa com IA, o seu chatbot, Gemini, permanece, para já, livre de publicidade.

 

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