
Continua após a publicidade
Fevereiro de 2026 — Após décadas marcadas pela predominância do livre mercado e da globalização irrestrita, o Estado voltou ao centro da estratégia econômica mundial. A política industrial, antes vista como instrumento ultrapassado, tornou-se novamente ferramenta-chave para competitividade, segurança nacional e inovação tecnológica.
Estados Unidos, União Europeia e China lideram esse movimento, utilizando subsídios, incentivos fiscais e investimentos públicos para fortalecer setores estratégicos. A lógica é clara: tecnologia, energia e semicondutores são ativos de soberania.
O novo intervencionismo estratégico
Nos Estados Unidos, programas de incentivo à indústria de semicondutores e energia limpa seguem em plena execução. A meta é reduzir dependência externa e gerar empregos industriais de alta qualificação.
Na Europa, a política industrial busca proteger cadeias produtivas e acelerar transição energética. A China, por sua vez, mantém modelo estatal robusto, direcionando crédito e investimento para setores considerados prioritários.
O resultado é um mundo menos neutro economicamente e mais orientado por estratégia nacional.
Subsídios e competição global
O aumento de subsídios industriais gera tensão comercial. Países acusam concorrentes de distorcer o mercado por meio de apoio governamental excessivo. Essa dinâmica cria ambiente de competição regulatória e fiscal.
Empresas multinacionais passam a escolher localização produtiva com base não apenas em custo, mas também em incentivos governamentais.
O Brasil diante da nova política industrial
O Brasil enfrenta dilema estratégico. Por um lado, possui tradição de políticas de incentivo, especialmente via Zona Franca de Manaus e programas setoriais. Por outro, precisa equilibrar política industrial com responsabilidade fiscal.
Em 2026, o debate nacional gira em torno de:
- Modernização da indústria
- Incentivos à inovação
- Redução da complexidade tributária
- Integração a cadeias globais
Sem estratégia clara, o país pode perder espaço na nova corrida industrial.
Amazônia e Zona Franca: laboratório industrial
A Zona Franca de Manaus representa exemplo histórico de política industrial brasileira. Criada para integrar economicamente a Amazônia, consolidou polo eletroeletrônico relevante.
Entretanto, em 2026, enfrenta desafios:
- Concorrência internacional crescente
- Necessidade de modernização tecnológica
- Pressão por sustentabilidade
Se adaptada às novas demandas globais — especialmente economia verde e digitalização — a Zona Franca pode tornar-se laboratório de indústria 4.0 na região Norte. Sem atualização, corre risco de perder competitividade frente a novos polos incentivados globalmente.
Política industrial e sustentabilidade
A nova política industrial não se limita à proteção de empregos. Está vinculada à transição energética e inovação tecnológica. Países incentivam produção de baterias, semicondutores, veículos elétricos e equipamentos renováveis.
Para o Brasil, integrar sustentabilidade à estratégia industrial pode gerar vantagem comparativa, especialmente considerando ativos ambientais da Amazônia.
O risco fiscal
Subsídios e incentivos exigem recursos públicos. Com cenário global de endividamento elevado, política industrial precisa ser bem direcionada para evitar desequilíbrio fiscal.
No Brasil, qualquer expansão de incentivos precisa estar alinhada a metas claras de produtividade e geração de valor agregado. Caso contrário, pode gerar distorções e perda de eficiência.
O cenário para 2026
Especialistas apontam três tendências principais:
- Consolidação da política industrial como instrumento permanente.
- Intensificação da competição por tecnologia estratégica.
- Crescente exigência de contrapartidas ambientais e sociais.
O Brasil precisará definir prioridades claras para não dispersar recursos.
Na Amazônia, política industrial pode servir como vetor de desenvolvimento sustentável se integrada a inovação e bioeconomia.
Conclusão
Em fevereiro de 2026, a política industrial voltou a ser protagonista da economia global. O Estado não substitui o mercado, mas orienta direções estratégicas.
Para o Brasil, o desafio é formular política industrial moderna, voltada à inovação, sustentabilidade e integração internacional. A Amazônia, por meio da Zona Franca de Manaus, pode ser peça-chave dessa estratégia — desde que adaptada às exigências tecnológicas e ambientais da nova economia.
O mundo industrial está sendo redesenhado. A questão é quem ocupará espaço nesse novo mapa produtivo.
Veja mais Notícias sobre Tecnologia
Publicidade






