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Um relatório recente da Brookings Institution alerta para as consequências profundas da inteligência artificial (IA) generativa na capacidade cognitiva dos estudantes. O estudo sugere que a facilidade de acesso a estas ferramentas está a comprometer competências fundamentais de raciocínio e aprendizagem.

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Do esforço intelectual ao clique instantâneo numa IA
Nas décadas de 80 e 90, a fraude académica exigia um esforço considerável. Quer envolvesse a contratação de terceiros ou a procura de respostas, o ato de contornar o trabalho tinha um custo de tempo e energia. Com o advento da internet, o processo facilitou-se, mas ainda exigia a triagem de informações em plataformas de apoio ao estudo.
Atualmente, esse processo colapsou em três etapas simples: aceder a uma plataforma como o ChatGPT, colar o enunciado e obter a resposta. Especialistas e educadores alertam que esta natureza "sem fricção" da IA está a causar um "desligamento" das capacidades cerebrais dos alunos.
Ao remover o esforço necessário para sintetizar textos ou resolver problemas complexos, a tecnologia atua como a "fast food da educação", oferecendo resultados imediatos, mas cognitivamente vazios.

A atrofia cognitiva e o modo passageiro
O relatório "A New Direction for Students in an AI World" destaca que muitos estudantes entraram num estado designado como "modo passageiro". Embora fisicamente presentes na sala de aula, delegam o esforço mental em sistemas externos. Esta dependência resulta numa "amnésia digital", em que os alunos não conseguem recordar a informação que submeteram porque nunca a chegaram a processar ou a memorizar.
A leitura profunda é uma das áreas mais afetadas. A "paciência cognitiva" - a capacidade de manter a atenção em ideias complexas - está a ser diluída pela rapidez dos resumos automáticos. Na escrita, observa-se uma homogeneização de ideias, com a IA a produzir conteúdos menos originais e diversificados do que o pensamento humano independente.
Para além do impacto intelectual, o estudo alerta para o fenómeno da "intimidade artificial". Com adolescentes a interagir diariamente com chatbots personalizados, estas ferramentas deixam de ser simples utilitários para assumirem o papel de companheiros.
Para inverter esta trajetória, os investigadores propõem uma estrutura assente em três pilares:
- Prosperar, adaptando as salas de aula para que a IA complemente o julgamento humano;
- Preparar, focando na literacia digital ética;
- Proteger, garantindo salvaguardas contra o uso manipulador e protegendo o bem-estar emocional dos jovens.
O objetivo é garantir que a tecnologia sirva como um suporte ao inquérito estudantil e não como um substituto para o pensamento crítico.
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