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Com o crescimento da inteligência artificial no dia a dia digital, os chatbots estão a tornar-se cada vez mais comuns entre crianças e jovens. Ferramentas como o ChatGPT já fazem parte da rotina de milhões de utilizadores em todo o mundo. Especialistas alertam que o uso destas tecnologias pelos mais novos também pode trazer riscos relacionados com privacidade, segurança digital e bem-estar emocional.

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Crianças e jovens estão a usar cada vez mais IA
Em Portugal, a utilização de inteligência artificial entre menores tem vindo a aumentar de forma significativa. Um estudo recente de uma faculdade portuguesa indica que quase 9 em cada 10 crianças e jovens entre os 9 e os 17 anos já utilizaram ferramentas de IA, sendo que 85% recorreram a estas tecnologias no último mês.
Apesar do potencial educativo e criativo destas ferramentas, a ESET alerta que o uso frequente, especialmente sem supervisão, pode levantar várias preocupações ao nível da segurança digital, privacidade e desenvolvimento emocional.
Quando a IA deixa de ser apenas uma ferramenta
Para muitos jovens, os chatbots são utilizados como apoio ao estudo, pesquisa de informação ou criação de conteúdos. No entanto, em alguns casos começam também a assumir outro papel: o de “companheiro digital”, a quem os utilizadores recorrem para pedir conselhos ou partilhar preocupações pessoais.
Segundo a empresa de cibersegurança, esta proximidade pode trazer alguns riscos. Durante a infância e adolescência, fases importantes para o desenvolvimento emocional, existe a possibilidade de crianças e jovens passarem a privilegiar interações com chatbots em detrimento de relações humanas, o que pode contribuir para isolamento social.
Além disso, muitos sistemas de IA são concebidos para gerar respostas empáticas e agradar ao utilizador. Isso pode, em alguns casos, reforçar fragilidades emocionais ou amplificar dificuldades que os jovens já enfrentam.

Privacidade e desinformação também preocupam
Do ponto de vista da cibersegurança, uma das maiores preocupações está relacionada com os conteúdos e interações a que os menores podem aceder através destas ferramentas.
Embora muitas plataformas tenham implementado mecanismos para limitar conteúdos perigosos ou impróprios, essas barreiras nem sempre são totalmente eficazes e podem ser contornadas.
Outro risco é o da desinformação. Os sistemas de inteligência artificial podem gerar respostas incorretas ou enganosas, mas apresentadas de forma convincente. Isto pode levar crianças e jovens a aceitar informação falsa como se fosse factual, especialmente em temas sensíveis como saúde, relações pessoais ou comportamento online.
A privacidade é também uma questão crítica. Os dados introduzidos nos chatbots — incluindo informações pessoais, familiares ou relacionadas com escola, rotinas e localização — podem ficar armazenados pelas plataformas. Caso esses dados sejam comprometidos ou utilizados indevidamente, podem representar um risco real para a segurança das famílias.
Pais devem encarar os chatbots como mais um ambiente digital
Perante este cenário, os chatbots devem ser vistos pelos pais como mais um ambiente digital a acompanhar, tal como acontece com redes sociais, aplicações móveis, plataformas de vídeo ou jogos online.
Segundo a ESET, a literacia digital, a definição de limites e a supervisão ativa continuam a ser essenciais para reduzir a exposição a riscos.
Enquanto empresa de cibersegurança, vemos a inteligência artificial como uma tecnologia com enorme potencial, mas também como mais uma porta de entrada para riscos de privacidade, exposição indevida de informação e confiança excessiva em sistemas digitais. Quando falamos de crianças e jovens, a supervisão e a literacia digital tornam-se ainda mais importantes
alerta Ricardo Neves, responsável de Comunicação e Marketing da ESET Portugal.

Sensibilização para a segurança digital
A proteção de crianças e jovens no ambiente digital faz parte do trabalho contínuo da ESET. A empresa promove iniciativas de sensibilização dirigidas a pais, escolas e alunos, como o programa Safer Kids Online, que inclui:
- guias e artigos para pais
- materiais educativos para escolas
- conteúdos direcionados para crianças
- ferramentas práticas, incluindo uma aplicação gratuita
- Segundo a empresa, à medida que surgem novas tecnologias, os riscos também evoluem, tornando ainda mais importante combinar educação digital com medidas práticas de proteção.
Controlo parental e diálogo continuam a ser essenciais
Embora muitas plataformas estabeleçam limites de idade, a verificação nem sempre é rigorosa. Por isso, o papel dos pais continua a ser fundamental.
Entre as recomendações deixadas pela ESET estão:
- acompanhar de perto a utilização de chatbots pelos filhos
- definir regras claras para o uso destas ferramentas
- utilizar ferramentas de controlo parental
- rever as configurações de privacidade das plataformas
- promover conversas regulares sobre proteção de dados e pensamento crítico
O objetivo é garantir que crianças e jovens conseguem beneficiar das vantagens da inteligência artificial, mas de forma segura, consciente e responsável.
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