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quando uma ideia consegue passar à prática

quando uma ideia consegue passar à prática

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Durante muito tempo, criar um produto com dimensão digital estava limitado a quem sabia programar. Quem não tinha esse conhecimento dependia de terceiros, normalmente programadores, o que implicava investimento logo à partida. O que mudou?

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Antes sequer de se validar uma ideia, já existia custo. E esse custo aumentava o risco de qualquer projeto ou negócio, naturalmente. Na prática, isto fazia com que muitas ideias não saíssem do papel por falta de dinheiro ou pelo medo de arriscar, ou seja, o problema nem sempre estava nas ideias mas sim no acesso à tecnologia.

Se recuarmos alguns anos, criar um website ou uma aplicação implicava aprender e fazer código. Não havia alternativa. Ou se dominava essa área ou era necessário contratar alguém.

Entretanto, com o surgimento do no-code e do low-code, esse cenário começou a mudar. Passou a ser possível criar websites, lojas online e até aplicações com alguma complexidade sem escrever o respetivo código. Mas, estas ferramentas continuavam a exigir alguma proximidade com a tecnologia, porque não eram totalmente acessíveis e conhecidas por qualquer pessoa.

Com a IA generativa, começa-se a ver um novo comportamento a emergir

Neste momento, o utilizador apenas precisa de conhecer uma ferramenta de IA Generativa que crie websites e Apps, como um Lovable, um Google AI Studio ou um Base44 e passa só a precisar de descrever aquilo que pretende. Em vez de ter de configurar tudo manualmente, passa a ser um orientador do processo de criação. E é aqui que entra a ideia de disrupção.

A IA generativa é uma tecnologia disruptiva, não tenhamos dúvidas disso. Digo isto porque uma tecnologia torna-se realmente disruptiva quando faz aparecer, acima de tudo, um novo tipo de utilizador. Não é quando é necessariamente melhor. É quando permite que as pessoas que antes não a conseguiam usar passam a fazê-lo de forma autónoma.

À medida que estas ferramentas se tornam mais disseminadas, deixam de estar nas mãos dos especialistas e passam a estar também ao alcance de qualquer pessoa. Muito em breve, parece-me que vai ser normal a nossa mãe ou avó conseguirem criar uma página online, montar uma pequena aplicação ou até mesmo automatizar uma tarefa, simplesmente porque conseguem pedir e construir.

Isto altera a dinâmica do mercado, pelo menos no que toca ao processo de criação e do empreendedorismo.

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Neste momento, observamos cada vez mais profissionais, de várias áreas, e que conhecem os problemas dos seus setores, a terem os meios para testar e implementar soluções que respondam a essas dores. Não precisam de esperar por equipas técnicas nem de arriscar o dinheiro para o fazer.

Ainda recentemente, estive com uma pessoa que tem uma agência de viagens e que criou uma simples carteira digital para ser entregue ao seu cliente, para onde são carregados os links e os anexos das várias reservas que o operador faz para o cliente.

Isto poupa imenso tempo na procura de e-mails e de reservas quando o cliente liga para a agência a dizer que não sabe onde está o seu boarding pass, ao mesmo tempo que facilita a vida deste. Este é um exemplo de uma coisa muito simples mas que responde a um problema que é mesmo um problema.

Prótotipo em IA deixa de ser descartável...

Um outro ponto relevante é que o próprio protótipo deixa de ser descartável. Em muitos casos este pode evoluir diretamente para um Produto Mínimo Viável, ou seja, aquilo que começou como um teste passa a ser a base de um produto cujo acesso pode ser cobrado a clientes.

Embora esta revolução não garanta melhores ideias, permite certamente identificar mais cedo e com menos risco o que funciona e o que não funciona.

Mas como nem tudo se resume ao mundo digital, mas muito passa por lá, deixo mais este exemplo.

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Para criar o meu primeiro livro (físico), que lancei no final de 2024, comecei por usar a IA generativa como um apoio para criar a estrutura, o índice e a criação de alguns dos elementos visuais, como imagens e infográficos. Mas o passo seguinte foi a chave para um bom resultado final (vendas).

IA generativa para montar operação à volta da escrita de um livro

Usei a IA generativa, um ChatGPT “da vida”, como guia para montar toda a operação à volta do livro. Desde a criação de uma loja online, à integração com sistemas de pagamento, à instalação do pixel das plataformas de publicidade e à gestão das próprias campanhas.

Não foi a ferramenta que fez o trabalho por mim, mas foi a ferramenta que me guiou no que fazer, passo a passo, mesmo quando encontrei dificuldades pelo caminho (e foram muitas!). Com isto, e ao fim de um ano de operação, vendi cerca de três mil livros a partir de casa.

Este exemplo ajuda a perceber o ponto central da disrupção. A IA generativa não substitui o trabalho, mas reduz de forma significativa a distância entre o querer e o conseguir fazer. E isso altera a forma como qualquer pessoa pode abordar a criação de um produto ou negócio.

Apesar desta evolução, há elementos que não mudam. Continua a ser necessário compreender bem os problemas, falar com os utilizadores, compreender os mercados e, acima de tudo, ter a capacidade de vender. A tecnologia facilita a execução, mas não substitui o pensamento crítico nem a nossa capacidade de decisão e execução propriamente dita.


Artigo escrito para o Pplware por Pedro Esteves é docente, autor e consultor na área da Inteligência Artificial.

É fundador do Portal IA Hoje e cofundador da AQIA – Academia para a Qualificação em Inteligência Artificial, onde desenvolve conteúdos e formações orientadas para a utilização destas ferramentas no dia a dia.

Trabalha sobretudo na ligação entre IA, produtividade e empreendedorismo. Treina profissionais e organizações para passarem da ideia à execução, sem a necessidade de conhecimento técnico avançado.

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