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Quem está a seguir o Mundial 2026 já deve ter reparado: o campo tem sido inundado de cor-de-rosa. A explicação está mais relacionada com marketing do que com Inteligência Artificial (IA), como a Internet tem feito crer.

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Basta ligar a televisão para um qualquer jogo da fase de grupos para perceber a tendência: as chuteiras cor-de-rosa estão muito presentes, tendo explodido logo na primeira fotografia de equipa do Mundial 2026, no jogo México-África do Sul, onde quase todos os jogadores usavam chuteiras "electric fuchsia".
Ao longo dos jogos da competição, os espetadores notaram uma uniformidade impressionante no calçado dos jogadores, com fabricantes como a Nike, a Adidas, a Puma, a New Balance e a Skechers a equiparem os atletas com tons vibrantes de rosa.
Enquanto a Nike, a Adidas e a New Balance optaram por variações de rosa como cor principal, a Puma e a Skechers incorporaram tons rosa neón.
Porque escolheram todas a mesma cor?
A explicação consensual é a visibilidade. Segundo especialistas da indústria citados pela FOX, este Mundial destaca-se porque praticamente todas as grandes marcas chegaram à mesma cor, numa tendência impulsionada pela preferência dos jogadores, pela confiança e pela visibilidade em campo.
A britânica SoccerBible resume a questão a três fatores: uma mistura de coincidência, máxima visibilidade dentro do campo, e a vontade de combinar com o ambiente das nações anfitriãs.
Tendência foi prevista
Esta onda rosa remonta a 2024, quando a WGSN, uma agência de previsão de tendências de consumo, identificou o "electric fuchsia" como uma das cores que iriam definir o verão de 2026.
O resultado foi quase inevitável, com as marcas a seguirem análises de mercado semelhantes: a Adidas apresentou a coleção "Road to Glory", a Nike lançou a coleção "Breakout" e a Puma revelou o pack "Showtime". Até outras marcas, como a New Balance, adotaram tons de rosa parecidos para os seus atletas patrocinados.

O Electric Fuchsia é um tom néon vívido com um carácter cinético e digital. Esta tonalidade luminosa, situada entre o rosa e o roxo, tem a sua essência em atitudes progressistas e provocadoras. Com a IA a continuar a desafiar as perceções do que é real, o Electric Fuchsia é um tom néon alucinante e psicadélico que confere um toque multissensorial ao nosso futuro virtual. Crédito: WGSN
A teoria da IA levantada pela Internet
Numa altura em que muitas empresas dizem recorrer a IA para tomar decisões, prever comportamentos de consumo ou otimizar produtos, basta um fenómeno visual estranho e sincronizado para que a Internet associe automaticamente os pontos e conclua que só pode ter sido a IA a "decidir" por todas elas.
De facto, dezenas de marcas rivais a apostarem na mesma cor ao mesmo tempo pode parecer estranho.
Contudo, não há nenhuma prova de que a IA tenha "escolhido" pintar as chuteiras de rosa. Pode haver, no entanto, uma ligação indireta.
- PUMA Showtime Pack
- Nike Breakout Pack
A própria WGSN, a agência cuja previsão de 2024 está na origem da onda "electric fuchsia", já não trabalha apenas com analistas humanos.
A empresa usa um modelo proprietário chamado TrendCurve AI, que combina dados de múltiplas fontes e aplica algoritmos de aprendizagem automática, reforçados por especialistas humanos, para gerar previsões de tendências com 94% de precisão até um ano de antecedência.
Ou seja, a cor que está a inundar os relvados do Mundial 2026 pode ter sido, em parte, sugerida por um sistema de IA, ainda que isso não seja certo.
Este tipo de ferramenta não é exclusivo da WGSN, pois outras plataformas analisam redes sociais, desfiles e comportamento de consumo para prever cores, estilos e padrões de procura, ajudando marcas a identificar tendências emergentes com antecedência.
- Skechers Sunset Pack
- Adidas Road to Glory Pack
É aqui que a teoria da Internet pode fazer sentido: a IA não terá escolhido a cor das chuteiras, mas terá ajudado a moldar a previsão de moda que, mais tarde, levou marcas rivais a apostarem, sem combinarem, exatamente no mesmo tom de rosa.
Ou seja, a IA pode ter ajudado a prever tendências, mas é improvável que tenha sido um simples propmt sobre a cor que mais se destaca num relvado verde a motivar a decisão das marcas.
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