
Continua após a publicidade
Uma falha nas carteiras Coldcard já drenou mais de 89 milhões de dólares em Bitcoin e está a baralhar os indicadores que analistas usam para perceber o que se passa no mercado.

Continua após a publicidade
A Coinkite, fabricante das carteiras de hardware Coldcard, confirmou no final de julho um problema grave no firmware de alguns dos seus dispositivos: a geração de seed phrases, as frases que dão acesso às carteiras Bitcoin, estava a ser feita com muito menos aleatoriedade do que deveria.
Na prática, isto tornou possível a atacantes reconstruírem chaves privadas e assaltarem carteiras que, até aqui, eram consideradas um dos métodos mais seguros para guardar criptomoedas a longo prazo.
Segundo dados da Galaxy Research, já foram identificadas três vagas de ataque distintas, que atingiram mais de 4500 endereços e resultaram no desvio de cerca de 1367 BTC, o equivalente a cerca de 89 milhões de dólares à taxa de câmbio atual.
Parte destes fundos permanece em endereços controlados pelos atacantes, enquanto outra já está a circular por serviços cross-chain, peel chains e até casinos online, dificultando o rasto.

Corrida para pôr o dinheiro a salvo
Como a falha não pode ser corrigida remotamente nas carteiras já comprometidas, a única solução para quem pode estar em risco é gerar novas seed phrases (com o firmware já corrigido) e transferir os fundos para lá o mais depressa possível.
O resultado foi uma onda de movimentação em massa de Bitcoin, incluindo moedas que estavam paradas há anos.
De acordo com a CryptoQuant, citada pelo website CryptoSlate, o volume de transações pequenas (abaixo de 1 BTC) atingiu o valor mais alto desde novembro de 2022, altura do colapso da FTX.
O número de endereços ativos por dia também disparou, passando de cerca de 645 mil para quase um milhão em apenas 24 horas, o valor mais elevado desde dezembro de 2024.
Este pânico fez, também, com que o sentimento nas redes sociais em torno do Bitcoin caísse para o nível mais negativo alguma vez registado pela plataforma de análise Santiment, com apenas 0,58 comentários positivos por cada comentário negativo.

Indicadores "às cegas"
Entretanto, muitos dos indicadores usados por analistas para avaliar a saúde do mercado, como o Coin Days Destroyed ou as mudanças na oferta detida por investidores de longo prazo, assumem que a movimentação de moedas antigas é sinónimo de venda.
Neste caso, contudo, as movimentações dizem respeito a utilizadores que se estão a proteger, e não de uma fuga generalizada de capital.
Por isso, vários analistas alertaram para a necessidade de ler estes dados com cautela nas próximas semanas, já que os números estão temporariamente distorcidos pelo episódio Coldcard.
Investigadores esbarram em limites da IA norte-americana
Um dos aspetos mais curiosos do caso prende-se com a investigação ao roubo.
Segundo Alex Thorn, responsável de investigação da Galaxy Digital, os mecanismos de segurança de vários modelos de Inteligência Artificial (IA) norte-americanos dificultaram o trabalho de rastreio dos fundos roubados, ao recusarem processar pedidos que se assemelhassem a atividade maliciosa, mesmo quando o objetivo era o oposto: travar o ataque.
Perante isso, os investigadores acabaram por recorrer ao GLM 5.2, um modelo chinês de código aberto.
Esta situação assemelha-se ao episódio recente que envolveu a Hugging Face, em que uma investigação a um ataque informático em curso esbarrou em recusas semelhantes por parte de modelos comerciais, obrigando ao uso de um modelo aberto para concluir a análise forense.
Saiba mais sobre Inteligência Artificial
Publicidade






