Jovem português criou um gémeo "mau" do ChatGPT e acabou nas mãos do FBI - Sem Enrolação

Jovem português criou um gémeo “mau” do ChatGPT e acabou nas mãos do FBI

Jovem português criou um gémeo

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Um português de 23 anos programou um modelo de Inteligência Artificial (IA) sem filtros, capaz de gerar malware e mensagens de phishing sem qualquer restrição ética. A ferramenta, batizada de WormGPT, chegou a ser vendida na Deep Web e acabou por atrair as atenções até do Federal Bureau of Investigation (FBI).

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Enquanto ferramentas como o ChatGPT recusam responder a pedidos que envolvam atividades ilegais, o WormGPT seguia outra lógica, não deixando questões sem resposta.

Identificado apenas pelo nome fictício de João e com um percurso ligado à programação desde criança, o jovem autodidata português decidiu criar uma alternativa sem barreiras éticas às IA generativas mais conhecidas, como o ChatGPT.

Segundo avançado pelo Público, o sistema não fazia qualquer avaliação sobre a finalidade dos pedidos que recebia. Ou seja, podia ser usado para gerar vírus, criar malware para roubo de palavras-passe ou redigir mensagens de phishing altamente convincentes, tudo isto guiando o utilizador passo a passo, mesmo que este não tivesse qualquer conhecimento técnico.

De projeto pessoal a ferramenta de cibercriminosos

O que começou como um projeto isolado rapidamente ganhou escala, com o WormGPT a ser disponibilizado na Deep Web e, ao longo do tempo, a captar utilizadores em vários pontos do globo.

Só em agosto de 2023, a acusação consultada pelo Público aponta para cerca de 70 utilizadores ativos, espalhados por países como Austrália, Estados Unidos, África do Sul, Singapura e Israel, havendo mesmo registo de utilização em Kiev, numa altura em que a Ucrânia já enfrentava a guerra com a Rússia.

O jovem português terá inicialmente desvalorizado a sua responsabilidade, argumentando que apenas disponibilizava a ferramenta e que não controlava o uso que terceiros lhe davam.

Contudo, essa posição começou a mudar quando passou a ser contactado diretamente por outros hackers para desenvolver soluções ligadas a crimes mais graves, como a clonagem de cartões de crédito. Nessa altura, decidiu abandonar o projeto.

Jovem portugues criou um gemeo mau do ChatGPT e acabou

FBI encaminhou caso do jovem português para a PJ

A investigação apurou que, no computador do jovem, existia um documento com a descrição das funcionalidades do WormGPT, incluindo uma referência a uma eventual venda por 55 mil euros.

Este processo espoletou o interesse do FBI, acabando o caso por ser encaminhado para a unidade de combate à cibercriminalidade da Polícia Judiciária (PJ) em Portugal.

Conforme informámos, João foi detido no início de 2025, com o processo a correr termos no Departamento de Investigação e Ação Penal do Porto.

Apesar da gravidade dos factos, o juiz responsável pelo caso optou por não aplicar medidas de coação mais severas, permitindo que o jovem permanecesse em liberdade enquanto aguarda julgamento.

Segundo uma fonte próxima do processo citada pelo Público, o magistrado terá pretendido dar-lhe uma oportunidade de canalizar as suas competências para fins positivos.

Colaboração com as autoridades e motivações familiares

Desde o início do processo, o jovem português assumiu os atos praticados e colaborou com as autoridades, o que contribuiu para uma redução no número de crimes que lhe são imputados. Ainda assim, irá responder por três crimes de sabotagem informática.

Nos primeiros meses após a detenção, o jovem ficou impedido de aceder à Internet e teve de se apresentar semanalmente numa esquadra, restrições que foram sendo progressivamente levantadas, permitindo-lhe retomar os estudos em Programação e Sistemas de Informação.

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Segundo uma fonte ligada ao processo, terá sido a situação de desemprego da mãe a pesar na decisão de começar a vender subscrições do WormGPT, com parte do dinheiro obtido através da Deep Web a ser usado para ajudar nas despesas da família.

A investigação estima que João tenha lucrado cerca de 24.290 euros com a atividade, valor que terá de devolver em caso de condenação e que será abatido ao montante apurado com a venda dos ativos em criptomoedas apreendidos, avaliados em cerca de 1195 euros à data da detenção.

O que se segue para o jovem português

Atualmente, João vive com os pais, é descrito como uma pessoa reservada e tímida, e aproxima-se do último ano do curso.

Falta agora o julgamento, onde responderá pelos três crimes de sabotagem informática, sendo que a colaboração prestada às autoridades ao longo da investigação poderá pesar a seu favor na determinação da pena final.

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