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A Apple sempre vendeu o Mac mini e o Mac Studio como máquinas para criadores de conteúdo, programadores ou pequenos servidores caseiros. Contudo, um novo cliente está a mudar essa narrativa, introduzindo os laboratórios de Inteligência Artificial (IA).

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Segundo avançado pela publicação The Information, a OpenAI terá adquirido, nos últimos meses, dezenas de milhares de unidades de Macs mini e Studio.
Contrariando o foco da Apple com estes produtos, o objetivo não está relacionado com edição de vídeo ou produtividade. Em vez disso, estas máquinas estarão a ser usadas para treinar agentes de IA capazes de operar computadores de forma autónoma, através de aprendizagem por reforço.
Na prática, são sistemas sem ecrã nem teclado, montados em bastidores e dedicados exclusivamente a correr tarefas de treino dentro da infraestrutura da OpenAI.
Estes agentes de computer use aprendem a navegar em interfaces, testar código, organizar e-mails e executar tarefas complexas em várias etapas, tal como faria uma pessoa, melhorando através de tentativa, erro e feedback constante.

A Anthropic, concorrente direta da OpenAI, está a seguir uma abordagem diferente. Em vez de comprar o hardware, está a alugar capacidade de Mac mini através da Amazon Web Services. No entanto, não se sabe quantas máquinas estão envolvidas nem que cargas de trabalho específicas suportam.
Porque é que os laboratórios de IA preferem os Macs da Apple
A razão para a aposta nos Macs está diretamente ligada à arquitetura de memória unificada da Apple. Ao contrário dos sistemas tradicionais, onde a memória do processador e da placa gráfica estão separadas, os chips da Apple permitem que CPU e GPU partilhem o mesmo grupo de memória.
Esta característica é particularmente útil em tarefas que exigem uma troca constante de informação entre o modelo de IA e o sistema operativo.
A isto soma-se a refrigeração ativa do Mac mini e do Mac Studio, que os torna mais adequados do que um portátil para cargas de trabalho prolongadas e contínuas.

Importa ressalvar que o treino de modelos de fundação em larga escala continua a ser uma tarefa muito mais exigente em termos de capacidade de computação, pelo que os Macs deverão estar a preencher uma lacuna mais específica, dando forma a máquinas otimizadas para interação intensiva em memória e acesso ao sistema operativo.
Uma procura por Macs que apanhou a Apple de surpresa
A mesma fonte da publicação conta ainda que uma procura empresarial inesperadamente forte terá levado a Apple a anunciar novos modelos de Mac mini e Mac Studio mais cedo do que o habitual, adiantando o calendário que normalmente reserva para o outono.
Estas máquinas atualizadas dão agora mais destaque à capacidade de correr modelos de IA localmente e de integrar vários sistemas entre si.
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