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O ecossistema da IA acaba de sofrer mais um abalo com a revelação de práticas controversas no treino de novos modelos. Um relatório detalhado divulgado pela Anthropic aponta o dedo a várias empresas da China, acusando-as de usar sistemas avançados sem autorização. O método em causa extrai capacidades de raciocínio de plataformas de topo, alimentando motores concorrentes.

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Entre as organizações mencionadas estão marcas de peso como a DeepSeek, a Xiaomi e a Moonshot AI. Segundo os registos apresentados, estas empresas recolhem perguntas colocadas por utilizadores e redirecionam todo o fluxo para o Claude, Aproveitam as respostas estruturadas para treinar os seus algoritmos. Esta abordagem contorna anos de desenvolvimento, poupando infraestrutura e tempo de treino computacional.
Claude sob ataque com milhões de operações registadas
Os riscos desta opção ultrapassam em muito a simples infração de propriedade intelectual. Ao canalizar os pedidos para a plataforma da Anthropic, dados confidenciais de empresas, endereços eletrónicos e identificadores pessoais acabam expostos no processo. O que parecia uma consulta privada num assistente transforma-se, na prática, em material não protegido para a construção de arquiteturas concorrentes.
We're publishing our most detailed threat intelligence report to date.
It covers how people tried to misuse Claude—for cyberattacks, influence operations, surveillance, biology, and building weapons—and how we found and stopped them.
We disrupted every operation in the report,…
— Anthropic (@AnthropicAI) September 10, 2026
A gigante Alibaba surge com particular destaque neste cenário. Tendo sido associada ao que é descrito como o maior ataque deste género alguma vez documentado. Os relatórios indicam mais de 151 milhões de interações desenhadas para absorver a lógica de funcionamento e a destreza verbal do modelo americano. Um volume desta dimensão ilustra o esforço concertado para encurtar distâncias face aos líderes de mercado.
Risco iminente para a privacidade e futuro do setor
Outro caso de transposição direta de pedidos está na Moonshot AI, conhecida pelas soluções desenvolvidas em torno do portfólio Kimi. Em vez de recorrer ao seu próprio poder de processamento interno, encaminhava pedidos de clientes para as ferramentas da Anthropic, exibindo os resultados como conquistas do seu software. A estratégia permitia simular uma sofisticação inexistente, sacrificando a confidencialidade.

Este esquema de exploração sistemática de recursos alheios gera uma fratura de confiança num setor cada vez mais regulado. Ao colocar em circulação modelos alimentados por dados obtidos de forma duvidosa, as empresas que recorrem a estas soluções correm sérios perigos legais. As garantias de anonimato caem por terra quando o tráfego é desviado sem consentimento de quem faz as perguntas.
A escalada competitiva no segmento da tecnologia inteligente entra assim numa fase complexa, onde a corrida à supremacia digital parece atropelar a ética e as normas elementares de proteção de dados. Com a publicação deste relatório, o aviso fica lançado tanto para o ecossistema corporativo como para os utilizadores comuns que dependem destas plataformas no quotidiano.
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