O debate sobre inteligência artificial costuma girar em torno de uma pergunta: quantos empregos desaparecerão? As projeções disponíveis sugerem que essa conta, sozinha, explica pouco. Mesmo em um cenário com aumento das oportunidades, trabalhadores podem perder espaço porque as novas vagas exigem conhecimentos diferentes. O ponto decisivo será a capacidade de conectar quem atua em funções em declínio às ocupações que crescem, sem transformar essa mudança em um longo período de desemprego.

Automatizar tarefas não equivale a eliminar profissões

Robots Trabalhando
© Imagem criada por inteligência artificial

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O relatório do McKinsey Global Institute, publicado em setembro, estima que a automação poderá reduzir a demanda por trabalho nos Estados Unidos pelo equivalente a 36 milhões de empregos até 2035.

Esse número representa horas de trabalho, e não uma previsão de 36 milhões de demissões. No mesmo cenário, a expansão econômica, a cadeia da IA e outras mudanças estruturais poderiam gerar demanda por aproximadamente 41 milhões de postos.

Para cerca de 25 milhões dos trabalhadores afetados, o crescimento dentro das próprias ocupações poderia compensar parte da automação. Outros 11 milhões talvez precisem mudar de profissão.

São resultados de um modelo, sujeitos ao ritmo de adoção das tecnologias e às condições econômicas. Além disso, o saldo positivo envolve fatores como envelhecimento da população e investimentos em infraestrutura. A criação das vagas não depende exclusivamente da IA. 

Ter vagas disponíveis não garante uma transição simples

Uma ocupação reúne várias tarefas. Automatizar uma delas pode reorganizar o trabalho, enquanto outras continuam exigindo supervisão, julgamento ou contato com clientes.

O problema aumenta quando a mudança exige outra profissão. Nesse caso, experiência anterior pode ajudar, mas não necessariamente preencher todos os requisitos da nova função.

A análise apresentada pela Xataka destaca três tipos de caminho: transições diretas, percursos que exigem mais formação e rotas com obstáculos maiores. Entre essas barreiras estão diferenças de habilidades, necessidade de certificações e possíveis perdas salariais.

A consequência prática é que duas pessoas podem enfrentar a mesma transformação tecnológica com condições muito diferentes. Uma consegue adaptar sua experiência rapidamente. A outra precisa investir tempo e dinheiro antes de disputar uma oportunidade. 

Trabalhadores de baixa renda enfrentam mais obstáculos

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© Pexels

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Segundo os dados discutidos na reportagem, funções administrativas, comércio e transporte concentram grande parte dos trabalhadores que poderiam precisar trocar de ocupação.

Esse movimento pesa especialmente sobre quem recebe menos. Além da maior exposição à mudança, esses profissionais encontram menos caminhos diretos para empregos em expansão.

Por isso, oferecer um curso não resolve automaticamente a transição. A formação precisa permitir que a pessoa alcance uma vaga concreta, considerando as exigências do trabalho e os recursos necessários para estudar. Sem essa conexão, novas oportunidades podem coexistir com dificuldades persistentes para preencher postos e encontrar emprego. 

As projeções globais também dependem de formação

O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, projeta 170 milhões de empregos criados e 92 milhões deslocados até 2030, com saldo positivo de 78 milhões.

Esses números abrangem várias tendências, incluindo tecnologia, demografia e transição energética. Portanto, não representam apenas o efeito da inteligência artificial.

O levantamento também aponta que 39% das habilidades atuais dos trabalhadores poderão mudar ou ficar desatualizadas nesse período. Pensamento analítico, adaptação e competências tecnológicas ganham importância nesse cenário.

A perspectiva de mais empregos oferece uma possibilidade favorável, mas depende de preparação. Empresas, governos e instituições de ensino precisarão criar caminhos acessíveis entre as funções que perdem demanda e aquelas que passam a contratar. Para o trabalhador, a questão será conseguir atravessar essa mudança com condições reais de aprender e continuar trabalhando. 

 

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