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A bióloga Maria Teresa Fernandez Piedade, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, foi anunciada como vencedora do Prêmio Almirante Álvaro Alberto, considerado a principal premiação da ciência brasileira. A honraria é concedida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico em parceria com a Marinha do Brasil.
Criado em 1981, o prêmio reconhece pesquisadores que tenham se destacado pela realização de obra científica ou tecnológica de reconhecido valor. A cerimônia de entrega está prevista para 7 de maio, no Rio de Janeiro. Maria Teresa receberá diploma, medalha e prêmio de R$ 200 mil.
A escolha da pesquisadora tem relevância nacional e simbólica para a Amazônia. Maria Teresa desenvolve pesquisas sobre a região há quase 50 anos e atua nos programas de pós-graduação em Ecologia e Botânica do Inpa. Ela também lidera o grupo de pesquisa Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas, conhecido como Maua.
As áreas úmidas amazônicas são fundamentais para o equilíbrio ambiental do país. A pesquisadora destacou que grandes rios como Amazonas, Solimões e Negro, junto com várzeas e igapós, cobrem cerca de 750 mil quilômetros quadrados. Ela também apontou que pequenos cursos d’água, os igarapés, somam mais de 1 milhão de quilômetros quadrados.
O reconhecimento ocorre em um momento de pressão crescente sobre ecossistemas amazônicos. Desmatamento, queimadas, mudanças climáticas, degradação de cursos d’água e expansão desordenada de atividades econômicas ameaçam áreas essenciais para regulação hídrica e climática. A ciência produzida na região é indispensável para orientar políticas públicas, definir áreas de preservação e compreender os impactos ambientais.
A premiação também chama atenção para a necessidade de maior investimento em pesquisa amazônica. Embora a Amazônia seja estratégica para o Brasil e para o mundo, instituições científicas da região enfrentam desafios de financiamento, infraestrutura, retenção de talentos e valorização de pesquisadores locais.
O prêmio a Maria Teresa reforça que a proteção da Amazônia depende de conhecimento científico consistente. Sem dados, monitoramento e pesquisa de longo prazo, decisões sobre conservação e desenvolvimento tendem a ser frágeis e vulneráveis a interesses econômicos imediatos.
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