A inteligência artificial avança na América Latina, mas os países chegam a essa transformação com capacidades diferentes. Chile, Brasil e Uruguai lideram o Índice Latino-Americano de Inteligência Artificial de 2026, elaborado pelo Centro Nacional de Inteligência Artificial do Chile (CENIA) e pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). O levantamento mostra que desenvolver competências tecnológicas exige conectar infraestrutura, pesquisa, profissionais e políticas públicas.
Quais países lideram o ranking

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O Chile aparece em primeiro lugar pelo quarto ano consecutivo, com 71,4 pontos. O Brasil ocupa a segunda posição, com 68,4, seguido pelo Uruguai, com 67.
Os três integram o grupo de “pioneiros”, formado por países que ultrapassam 60 pontos. Na sequência estão os “adotantes”, com pontuações entre 35 e 60. As posições seguintes mostram a distância entre o trio da frente e os demais países:
| Posição | País | Pontuação |
| 1º | Chile | 71,4 |
| 2º | Brasil | 68,4 |
| 3º | Uruguai | 67,0 |
| 4º | Colômbia | 56,8 |
| 5º | Costa Rica | 56,0 |
| 6º | Argentina | 55,6 |
| 7º | Peru | 52,7 |
| 8º | México | 52,0 |
| 9º | Equador | 51,8 |
| 10º | República Dominicana | 45,1 |
Os resultados divulgados pelo CENIA na apresentação do ILIA 2026 abrangem 20 países, incluindo Trinidad e Tobago pela primeira vez.
O que significa estar preparado para a inteligência artificial
O índice avalia a maturidade dos ecossistemas nacionais. A publicação da Cepal organiza a análise em três dimensões: fatores habilitadores; pesquisa, desenvolvimento e adoção; e governança.
A primeira reúne condições como infraestrutura, dados e talento humano. A segunda examina a produção científica, a inovação e a incorporação da tecnologia. A terceira considera aspectos institucionais e estratégicos.
Essa combinação permite identificar capacidades e carências que uma lista de empresas ou ferramentas populares não mostraria. O levantamento serve para orientar prioridades nacionais e políticas públicas, considerando diferenças de escala econômica e de desenvolvimento. A classificação oferece, portanto, um diagnóstico de preparação que vai além do acesso cotidiano a chatbots.
Brasil concentra a infraestrutura de processamento

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O Brasil tem um peso especialmente elevado na capacidade computacional identificada pelo estudo. Segundo o portal oficial do ILIA, o país concentra 87,7% das unidades de processamento gráfico, conhecidas como GPUs, e 92% da capacidade regional de processamento considerada no levantamento.
Esses equipamentos são importantes para executar aplicações e desenvolver modelos de inteligência artificial. A concentração indica uma vantagem brasileira, mas também evidencia limitações de infraestrutura em outros países.
Na comparação com Alemanha, Espanha, Estônia, Portugal e Singapura, o relatório observa que a região se aproxima mais desses países em conectividade do que em capacidade computacional. O exercício utiliza indicadores selecionados e ajuda a colocar os resultados latino-americanos em perspectiva internacional.
Pequenas empresas enfrentam uma barreira maior
A adoção empresarial também é desigual. As estimativas do relatório apontam uso de IA em 27,6% das grandes empresas, 12,8% das médias e 6,8% das pequenas.
A Cepal esclarece que esses números vêm de um modelo econométrico, diante da falta de estatísticas oficiais comparáveis na maioria dos países. Eles indicam uma diferença relevante conforme o porte das organizações, mas devem ser interpretados com essa limitação metodológica.
A distância também aparece entre planejamento e execução. Embora 85% dos países tenham uma estratégia nacional vigente ou em elaboração, apenas Brasil e Colômbia possuem orçamentos explicitamente previstos nesses instrumentos, segundo o comunicado da comissão.
Formação avança, mas o desafio é gerar resultados
A região apresenta sinais de expansão educacional. Onze dos 20 países já incorporaram conteúdos de IA aos currículos escolares, frente a apenas dois em 2024. Todos possuem programas de mestrado relacionados à área, e 14 oferecem doutorados.
Para a Cepal, o próximo passo exige transformar capacidades em produtividade, inovação e inclusão. A cooperação regional pode ampliar recursos em áreas nas quais a escala de um país isolado é insuficiente.
O organismo também ressalta que os resultados de 2026 não são totalmente comparáveis aos anteriores, devido a mudanças metodológicas e à ampliação da amostra. Assim, a posição no ranking deve acompanhar uma leitura das condições que cada país precisa melhorar.
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