A Broadcom comprometeu-se a disponibilizar até 42 mil milhões de dólares à Anthropic para financiar parte da infraestrutura de inteligência artificial da empresa. O acordo consta do prospeto preparado pela criadora do Claude para a sua entrada em bolsa.


Continua após a publicidade
A operação aprofunda uma relação que já abrangia capacidade computacional e aluguer de equipamento. A novidade está no papel financeiro da Broadcom, que poderá financiar uma parcela relevante da infraestrutura em que também participa como fornecedora de tecnologia.
Segundo o prospeto consultado pela Reuters, os instrumentos de dívida poderão financiar cerca de um terço dos 125,2 mil milhões de dólares que a Anthropic se comprometeu a gastar durante cinco anos no aluguer de capacidade baseada em Tensor Processing Units, ou TPU. A documentação prevê ainda a possibilidade de conversão dessa dívida em ações da empresa de IA.
A Anthropic afirma no documento que não prevê a venda dessas notas antes de concluir a oferta pública inicial. A Broadcom poderá também indicar um parceiro financeiro para participar na operação.
Broadcom ganha um papel central na infraestrutura da Anthropic
A relação entre as duas empresas vai além do financiamento. A Broadcom participa no desenvolvimento e fornecimento das TPUs personalizadas da Google e está envolvida na disponibilização de capacidade computacional que a Anthropic deverá começar a utilizar em 2027.
Em abril, a própria Anthropic anunciou a expansão da parceria com Google e Broadcom para vários gigawatts de capacidade baseada em TPUs de nova geração. Nessa altura, a componente de financiamento agora revelada no prospeto ainda não era conhecida publicamente.
A Broadcom confirmou separadamente um acordo de longo prazo com a Google para desenvolver e fornecer TPUs personalizadas para futuras gerações destes processadores. No mesmo documento, a fabricante indicou que a Anthropic teria acesso, através da Broadcom, a cerca de 3,5 GW da capacidade computacional prevista na colaboração entre as três empresas.
O prospeto acrescenta outra dimensão à dependência entre as duas empresas. A Anthropic deverá tornar-se em 2027 o maior cliente da principal atividade de desenvolvimento de chips personalizados da Broadcom, segundo a Reuters. Ao mesmo tempo, a Broadcom passa a financiar parte das despesas que sustentam essa procura.
Financiamento e vendas ficam ligados pela mesma relação
Esta estrutura cria uma relação de despesa recíproca. A Broadcom fornece tecnologia e capacidade à Anthropic e, simultaneamente, disponibiliza financiamento que pode ajudar a empresa de IA a pagar essa infraestrutura.
O modelo não é exclusivo da Broadcom. A Reuters compara a estratégia com operações utilizadas pela NVIDIA, que também tem recorrido à sua capacidade financeira para apoiar clientes e parceiros que investem em infraestrutura de IA.
A dimensão dos compromissos torna esta relação particularmente relevante. A Anthropic depende de grandes volumes de capacidade computacional para treinar e executar os modelos Claude, enquanto uma parte crescente das receitas esperadas pela Broadcom no mercado da inteligência artificial depende da expansão dos grandes laboratórios de IA.
A Anthropic reconhece no prospeto potenciais conflitos de interesses associados a esta estrutura. Alterações nos preços, na disponibilidade de equipamento ou nas condições de financiamento da Broadcom poderão afetar o acesso da empresa à capacidade computacional de que necessita.
A revelação acrescenta informação financeira à documentação da entrada em bolsa da Anthropic. O TecheNet já tinha analisado os riscos apresentados pela empresa aos potenciais investidores. O novo detalhe mostra que o prospeto também expõe o grau de interdependência financeira entre a Anthropic e alguns dos fornecedores responsáveis pela expansão da sua infraestrutura.
Outros artigos interessantes:
Publicidade
