1793995443 389 Cientistas criam oculos que aproveitam seus movimentos faciais e podem

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Imagine colocar seus óculos pela manhã e descobrir que eles conseguem acompanhar alguns sinais do seu organismo enquanto você trabalha, conversa ou simplesmente pisca os olhos. Parece uma tecnologia de ficção científica, mas pesquisadores norte-americanos já desenvolveram um protótipo com essa capacidade. O mais curioso é que ele não depende apenas de sensores eletrônicos convencionais: utiliza a própria movimentação do rosto para produzir sinais que podem revelar informações sobre a saúde.

Os óculos inteligentes que transformam movimentos do rosto em eletricidade

A novidade foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, e recebeu o nome de GlassTENG.

O dispositivo utiliza um fenômeno físico chamado efeito triboelétrico, responsável pela geração de cargas elétricas quando determinados materiais entram em contato e depois se separam.

É um princípio semelhante ao da eletricidade estática produzida quando esfregamos um balão no cabelo.

Os cientistas aproveitaram esse mecanismo para criar sensores flexíveis capazes de transformar pequenos movimentos faciais em sinais elétricos.

Três sensores foram incorporados à armação.

O primeiro, localizado sobre o nariz, identifica piscadas, movimentos das sobrancelhas e pulsações arteriais.

O segundo fica próximo à têmpora, permitindo registrar movimentos da mandíbula e sinais relacionados à circulação sanguínea.

Já o terceiro, posicionado perto da orelha, reconhece atividades como mastigar e apertar os dentes.

Quando o rosto se movimenta, as camadas dos sensores sofrem pequenas deformações e produzem sinais elétricos característicos.

Esses padrões podem ser analisados por algoritmos para identificar diferentes atividades.

A proposta é transformar uma armação aparentemente comum em uma ferramenta de monitoramento fisiológico.

Os resultados surpreenderam até pela precisão dos movimentos mais discretos

Para avaliar o desempenho do protótipo, os pesquisadores realizaram experimentos com 20 voluntários.

Os participantes executaram seis atividades: piscar, levantar as sobrancelhas, apertar os dentes, bater os dentes repetidamente, comer e falar.

Utilizando algoritmos de aprendizado de máquina, o sistema conseguiu diferenciar essas ações com uma precisão geral de 93,8%.

Os melhores resultados apareceram na identificação do contato repetido entre os dentes, com 99% de precisão.

O reconhecimento do apertamento mandibular também apresentou desempenho elevado, chegando a 96%.

Além disso, os pesquisadores avaliaram a capacidade dos óculos de estimar a frequência cardíaca.

Na comparação com uma cinta peitoral utilizada como referência, o erro médio foi de apenas 1,82 batimento por minuto.

Os resultados indicam que movimentos faciais aparentemente insignificantes podem fornecer informações úteis sobre diferentes funções do organismo.

Entretanto, os testes envolveram um grupo relativamente pequeno de participantes, e o desempenho ainda precisa ser confirmado em condições cotidianas.

A tecnologia utiliza pouquíssima energia, mas ainda não dispensa totalmente as baterias

Uma das características mais interessantes do GlassTENG é seu baixo consumo energético.

Segundo os pesquisadores, os três sensores apresentam uma demanda conjunta de aproximadamente 4,1 microwatts.

Os movimentos mais suaves, como as pulsações arteriais, produzem sinais de cerca de 50 a 100 milivolts.

As piscadas geram aproximadamente 200 a 500 milivolts, enquanto movimentos mais intensos da mandíbula podem alcançar 1,5 volt.

Esses valores demonstram a capacidade dos sensores de aproveitar pequenas quantidades de energia mecânica.

Entretanto, existe uma diferença importante entre sensores que geram seus próprios sinais elétricos e um dispositivo completamente autossuficiente.

O protótipo ainda precisa de alimentação externa para determinadas funções eletrônicas.

Portanto, os óculos não representam, por enquanto, uma solução integralmente livre de baterias ou recargas.

Bruxismo e monitoramento cardíaco estão entre as possíveis aplicações

Os pesquisadores acreditam que a tecnologia poderá contribuir para o acompanhamento de comportamentos associados ao bruxismo, condição caracterizada pelo ranger ou apertamento involuntário dos dentes.

Uma aplicação futura seria identificar episódios de tensão mandibular e emitir alertas para incentivar o relaxamento dos músculos.

O sistema também poderia ajudar a estudar hábitos alimentares, fadiga e determinados indicadores cardiovasculares.

Entretanto, reconhecer movimentos associados a essas condições não equivale a realizar diagnósticos médicos.

Para isso, seriam necessários estudos clínicos específicos e validações adicionais.

O próximo desafio será testar o equipamento durante atividades prolongadas, com diferentes usuários e situações reais.

Se essas etapas forem bem-sucedidas, os óculos do futuro poderão fazer muito mais do que melhorar a visão: poderão acompanhar discretamente sinais importantes do nosso organismo.

E tudo isso aproveitando movimentos tão naturais que quase nunca percebemos.

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