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O crescimento exponencial da inteligência artificial (IA) está a sobrecarregar as infraestruturas energéticas globais. Um novo estudo revela que os centros de dados poderão consumir até 4 vezes mais a eletricidade produzida nos Estados Unidos já na próxima década.

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O boom energético dos centros de dados de IA
De acordo com dados recentes da BloombergNEF, estima-se que estas instalações consumam cerca de um quinto de toda a energia elétrica gerada nos EUA até ao ano de 2035. Este valor representa o quádruplo do consumo verificado atualmente, impulsionado sobretudo pela necessidade de processamento computacional para modelos de IA.
A capacidade total destas infraestruturas deverá aproximar-se dos 200 gigawatts, sendo que metade deste valor será canalizado exclusivamente para o treino e execução de algoritmos complexos. Os EUA continuarão a liderar esta tendência, concentrando a grande maioria dos chips de IA devido à sua elevada procura de potência.
O ritmo de expansão deste setor tem surpreendido os analistas. A mais recente estimativa da BloombergNEF para 2035 supera em 83% os valores avançados pela própria consultora no final do ano passado.
Outras entidades do setor energético, como a EPRI, também duplicaram as suas previsões face ao aumento contínuo de novos projetos de infraestruturas tecnológicas. Esta revisão em alta reflete a velocidade frenética com que novas instalações estão a ser planeadas e construídas, o que coloca uma pressão gigante sobre a rede elétrica.

Redes elétricas no limite
Esta procura massiva vai afetar redes de distribuição que já enfrentam sérios problemas de estabilidade. Na região que abrange desde a Virgínia até Illinois, estima-se que mais de um terço da eletricidade disponível seja absorvida por estes centros de dados.
O cenário de sobrecarga levou mesmo à suspensão temporária de novos pedidos de ligação à rede por parte de alguns operadores regionais, o que gerou tensões com as empresas de distribuição pública. Como consequência direta deste desequilíbrio entre a oferta e a procura, os preços da eletricidade registaram um aumento drástico de 76%.
Embora o mercado norte-americano lidere este crescimento, o fenómeno estende-se a outras geografias. Se a adoção global de ferramentas de IA mantiver o ritmo atual, estima-se que estas infraestruturas criem uma necessidade adicional de quase dois mil terawatts-hora em todo o mundo.
Este volume de energia equivale, de forma aproximada, ao consumo elétrico anual de um país de dimensões continentais como a Índia.
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