ESA e Mistral vão aprofundar a colaboração em inteligência artificial através de uma nova carta de intenções que abre caminho à utilização dos modelos e da infraestrutura da tecnológica francesa em atividades espaciais europeias.

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O acordo não representa o início da relação entre as duas organizações. A Mistral já participa em projetos de inteligência artificial associados à Agência Espacial Europeia. A principal novidade está na criação de um quadro estratégico mais amplo para explorar novas aplicações em engenharia, observação da Terra, infraestrutura europeia e desenvolvimento de capacidades de IA.
A carta de intenções foi assinada em Paris a 16 de setembro pelo diretor-geral da ESA, Josef Aschbacher, e pelo cofundador e CEO da Mistral, Arthur Mensch. A Agência Espacial Europeia divulgou o acordo a 23 de setembro.
ESA e Mistral estudam IA para engenharia e observação da Terra
O novo quadro permitirá às duas organizações explorar a utilização dos modelos, da infraestrutura de cloud e das capacidades técnicas da Mistral em áreas como observação da Terra, engenharia espacial, desenvolvimento de capacidades avançadas de IA e acesso a conhecimento técnico.
Entre as aplicações identificadas pela ESA estão o processamento de grandes volumes de dados de observação da Terra, apoio à conceção de missões, análise de engenharia, automatização de tarefas repetitivas e apoio a decisões técnicas.
A agência especifica que estas ferramentas deverão apoiar decisões conduzidas por pessoas. A utilização de inteligência artificial surge, assim, como complemento das atividades científicas, técnicas e operacionais, sem eliminar a supervisão humana.
Outro eixo da parceria passa pela possibilidade de executar estas capacidades em infraestrutura europeia. A ESA refere requisitos de segurança, resiliência, rastreabilidade, auditoria e proteção de informação sensível.
Esta componente insere-se num debate mais amplo sobre soberania tecnológica europeia. A Mistral tem procurado posicionar os seus modelos e infraestrutura como alternativas europeias num mercado dominado por empresas norte-americanas. A tecnológica francesa reforçou recentemente os recursos disponíveis para investigação e capacidade computacional depois de obter três mil milhões de euros numa ronda de financiamento.
Colaboração já inclui Orbit e EVE
A nova carta de intenções desenvolve uma relação que já inclui projetos conjuntos.
Um deles é o Orbit, um assistente de inteligência artificial seguro destinado a apoiar atividades de engenharia da ESA. A agência não detalhou, no anúncio mais recente, todas as capacidades do sistema ou a dimensão da sua utilização interna.
A colaboração abrange também o EVE, Earth Virtual Expert, uma ferramenta especializada desenvolvida através do Φ-lab da ESA com parceiros europeus para apoiar a observação da Terra e as ciências da Terra.
O EVE foi concebido para facilitar o acesso a conhecimento científico e técnico através de linguagem natural, com capacidade para pesquisar documentação e apoiar a consulta de informação relacionada com observação da Terra.
A carta de intenções não anuncia novos produtos, valores de investimento ou um calendário para a implementação das futuras aplicações. O documento estabelece sobretudo um quadro para identificar e desenvolver novas áreas de cooperação entre a ESA e a Mistral.
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