O impacto económico da IA poderá traduzir-se em ganhos de produtividade e crescimento durante a próxima década, sem provocar uma vaga generalizada de desemprego. Esta é a perspetiva predominante numa sondagem do Financial Times a 94 economistas da Europa, Ásia e Estados Unidos, que antecipa benefícios para além dos países que lideram o desenvolvimento da tecnologia.

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Segundo os resultados publicados a 18 de outubro, 54% dos participantes consideram que muitos ou quase todos os países do G20 poderão registar ganhos significativos de produtividade e crescimento económico. A maioria também não prevê uma destruição generalizada do emprego provocada pela inteligência artificial.
A avaliação introduz uma perspetiva mais favorável num debate marcado pelos riscos da automatização do trabalho e pelas dúvidas sobre a sustentabilidade dos investimentos em inteligência artificial. Os economistas admitem, contudo, que os benefícios poderão distribuir-se de forma desigual entre países, empresas e trabalhadores.
Impacto económico da IA poderá beneficiar grande parte do G20
Uma das principais conclusões da sondagem publicada pelo Financial Times é que os ganhos económicos da inteligência artificial não deverão ficar limitados aos Estados Unidos e à China.
Os países que não desenvolvem modelos avançados poderão beneficiar da adoção de ferramentas existentes, da importação de produtos e serviços que utilizam IA e da redução de custos proporcionada pela tecnologia.
Esta possibilidade distingue o desenvolvimento da inteligência artificial da sua utilização económica. Uma empresa não precisa de criar os seus próprios modelos para automatizar tarefas, melhorar processos ou aumentar a produtividade dos trabalhadores.
A adoção, no entanto, não garante automaticamente ganhos de produtividade. As empresas precisam de investir na integração da tecnologia, reorganizar processos e desenvolver competências para aproveitar as suas capacidades.
Economistas não antecipam desemprego generalizado
A maioria dos especialistas consultados pelo Financial Times não considera que a inteligência artificial venha a provocar desemprego em massa a longo prazo.
Esta expectativa não exclui a eliminação de postos de trabalho. As profissões com maior proporção de tarefas repetitivas ou suscetíveis de automatização poderão enfrentar mudanças significativas, enquanto outras atividades poderão beneficiar de ferramentas que complementam o trabalho humano.
A tecnologia também poderá criar novas funções e aumentar a procura de determinados serviços, embora a transição possa exigir formação e adaptação profissional.
A distinção entre automatizar tarefas e eliminar profissões é particularmente importante. Uma empresa pode utilizar IA para executar parte do trabalho anteriormente realizado por uma pessoa sem necessariamente eliminar a função. Também pode optar por reduzir o número de trabalhadores, caso os ganhos de eficiência diminuam as necessidades de contratação.
Por isso, a ausência de desemprego generalizado não significa que os efeitos sejam uniformes. Determinados setores, profissões e grupos de trabalhadores poderão enfrentar dificuldades, mesmo num cenário de crescimento económico global.
FMI estima que 40% dos empregos estão expostos à IA
A perspetiva dos economistas aproxima-se da avaliação recente do Fundo Monetário Internacional (FMI). Conforme noticiou o TecheNet a 12 de outubro, a instituição considera que o investimento em inteligência artificial está a contribuir para sustentar o crescimento da economia mundial, embora também identifique riscos para o emprego e para a distribuição dos benefícios económicos.
Segundo uma análise publicada pelo FMI, cerca de 40% dos empregos mundiais estão expostos à inteligência artificial, proporção que sobe para aproximadamente 60% nas economias avançadas.
A exposição não significa que todos esses postos de trabalho estejam ameaçados. Parte dos trabalhadores poderá beneficiar de maior produtividade, enquanto outros enfrentarão uma redução da procura pelas suas funções.
O FMI também alerta para o risco de agravamento das desigualdades. Os trabalhadores que consigam utilizar a IA para aumentar a produtividade poderão beneficiar de melhores oportunidades, enquanto aqueles cujas funções sejam substituídas poderão enfrentar dificuldades de adaptação.
Esta avaliação não contradiz necessariamente as expectativas recolhidas pelo Financial Times. Uma economia pode registar ganhos de produtividade e crescimento, mesmo que determinados setores percam postos de trabalho ou que alguns grupos profissionais enfrentem uma redução dos rendimentos.
Economias com menos recursos enfrentam maiores desafios
Apesar das expectativas positivas, a distribuição dos benefícios económicos da IA continua a ser uma das principais incógnitas.
Os países com infraestruturas digitais insuficientes, acesso limitado a energia e menor capacidade de investimento poderão demorar mais tempo a aproveitar as oportunidades. As economias cuja competitividade depende de custos laborais reduzidos também poderão enfrentar maior pressão da automatização.
A capacidade de adaptação será, por isso, determinante. Os países que conseguirem integrar a inteligência artificial nos serviços públicos, na indústria e nas empresas poderão aumentar a produtividade e reforçar a sua posição económica.
Em contrapartida, aqueles que enfrentem dificuldades de acesso à tecnologia ou não disponham de trabalhadores com as competências necessárias poderão ficar para trás.
A sondagem sugere que a inteligência artificial tem potencial para produzir benefícios económicos em grande parte do mundo, mas não permite determinar a dimensão desses ganhos em cada país.
Os resultados representam as expectativas de 94 economistas, não uma previsão económica consensual ou uma demonstração de efeitos já concretizados. O impacto efetivo dependerá da evolução tecnológica, dos custos de implementação, do investimento empresarial e da capacidade de adaptação dos mercados de trabalho.
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