Antes de comprar um celular, escolher um presente ou reservar uma viagem, cada vez mais consumidores recorrem à inteligência artificial para comparar opções e tirar dúvidas. Ao mesmo tempo, empresas utilizam algoritmos para recomendar produtos, prever interesses e personalizar ofertas. Essa transformação está mudando a relação entre consumidores e marcas, mas também levanta uma questão importante: até que ponto nossas decisões de compra continuam sendo realmente independentes?

Um em cada quatro consumidores já utiliza IA nas compras

Um levantamento da Netquest/Bilendi revelou que um em cada quatro pessoas utiliza inteligência artificial durante o processo de compra.

Entre aqueles que recorrem à tecnologia, 85% afirmaram ter avançado com uma compra após receber uma recomendação.

A principal vantagem apontada pelos entrevistados foi a economia de tempo, mencionada por 54% dos participantes. Outros 48% destacaram a facilidade de comparar produtos, enquanto 41% valorizaram a comodidade.

Os resultados mostram como ferramentas de IA estão deixando de ser utilizadas apenas para responder perguntas e passando a atuar como assistentes de consumo.

ChatGPT e Gemini estão mudando a maneira de pesquisar produtos

Inteligência artificial já influencia o que você compra e transforma o comércio online
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Até pouco tempo atrás, comprar um notebook exigia visitar várias lojas virtuais, comparar fichas técnicas e consultar avaliações.

Agora, basta informar a um assistente de IA o orçamento disponível e as características desejadas para receber uma seleção de alternativas.

Segundo dados da consultoria Kantar divulgados pelo IAB Argentina, 33% dos respondentes já utilizam IA para pesquisar ou comparar produtos antes da compra.

Além disso, 31% recorrem à tecnologia para comparar preços e ofertas.

Esse comportamento pode modificar profundamente o comércio eletrônico, porque o consumidor chega às lojas com parte de sua decisão já formada.

Consumidores ainda desconfiam das recomendações

Apesar da popularidade crescente, a confiança nos algoritmos não é absoluta.

Um levantamento do Trend Lab, da consultoria Youniversal, mostrou que 62% dos consumidores verificam as recomendações da IA por outros meios.

Outros 55% demonstraram preocupação com a possibilidade de as sugestões serem influenciadas por interesses comerciais.

Isso acontece porque as respostas dos assistentes podem apresentar informações desatualizadas, deixar de considerar determinadas marcas ou recomendar produtos sem explicar claramente os critérios utilizados.

Uma ferramenta também pode não identificar diferenças importantes entre modelos aparentemente semelhantes.

Por isso, avaliações de compradores reais, testes independentes e informações dos fabricantes continuam relevantes.

Marcas podem desaparecer das recomendações da inteligência artificial

A transformação também representa um desafio para as empresas.

Antes, as marcas disputavam posições nos resultados dos mecanismos de busca. Agora, precisam aparecer nas respostas produzidas por assistentes de IA.

Segundo a Kantar, dependendo da categoria analisada, até 40% das marcas podem ficar ausentes das recomendações geradas por esses sistemas.

Isso significa que uma empresa pode ter produtos competitivos, mas não ser apresentada ao consumidor durante uma pesquisa.

A tendência também pode afetar o tráfego de lojas virtuais e sites de comparação, já que parte das informações é apresentada diretamente pelos assistentes.

Como usar IA para comprar sem cair em armadilhas?

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A inteligência artificial pode ser especialmente útil para organizar informações, comparar especificações e identificar características importantes antes de uma compra.

Entretanto, os preços apresentados precisam ser conferidos nas lojas, assim como disponibilidade, prazo de entrega, garantia e condições de devolução.

No Brasil, onde promoções e condições de parcelamento podem variar bastante entre varejistas, essa verificação é particularmente importante.

Também vale desconfiar de recomendações que não apresentam critérios claros ou que tratam uma única opção como superior em todos os aspectos.

A IA pode ajudar a escolher, mas não deve substituir a verificação das informações. O maior benefício está em reduzir o tempo gasto na pesquisa sem transferir completamente a decisão de compra para um algoritmo.

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