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Trabalhar numa grande empresa tecnológica já não é o que era. Aos despedimentos em massa e à ameaça crescente da Inteligência Artificial (IA), junta-se agora uma nova realidade para os funcionários da Meta: tudo o que fazem no computador vai passar a ser monitorizado e registado pela empresa.

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A Meta está a implementar internamente uma ferramenta chamada Model Capability Initiative (MCI) que vai registar movimentos do rato, cliques e teclas premidas pelos trabalhadores.
Além disso, periodicamente, o sistema irá fazer capturas instantâneas dos ecrãs dos funcionários enquanto trabalham.
A informação foi avançada pela Reuters, com base em memorandos internos consultados pela agência noticiosa.
Segundo esses documentos, o objetivo do MCI é melhorar os modelos de IA da Meta precisamente nas áreas onde ainda falham: replicar comportamentos humanos simples no uso do computador, como selecionar opções em menus ou usar atalhos de teclado.
Se estamos a construir agentes para ajudar as pessoas a realizar tarefas do dia a dia nos computadores, os nossos modelos precisam de exemplos reais de como as pessoas os utilizam.
Explicou um porta-voz da Meta, quando questionado pela BBC sobre o tema, acrescentando que a ferramenta tem "medidas de segurança para proteger o conteúdo sensível" e que "os dados não são utilizados para qualquer outro fim".

Depois de ter apostado no metaverso, numa visão que lhe custou dezenas de milhares de milhões de dólares e ficou muito aquém das expectativas, Mark Zuckerberg repensou a estratégia da Meta e voltou-a para a IA, a prioridade absoluta da empresa, atualmente.
Novo foco da Meta é a IA para o trabalho
Esta iniciativa do MCI insere-se no programa mais amplo de Agent Transformation Accelerator (ATA), anteriormente conhecido como "AI for Work", que o diretor de tecnologia da Meta, Andrew Bosworth, descreveu aos funcionários como parte central da estratégia da empresa.
Indo mais longe, a Meta quer que os seus agentes de IA realizem a maior parte do trabalho, enquanto os humanos assumem um papel de supervisão, revisão e melhoria contínua.
O executivo não mencionou, contudo, o impacto desta mudança no número de postos de trabalho.
Funcionários reclamam de estratégia "muito distópica"
Sob anonimato, à BBC, um funcionário resumiu o sentimento de muitos colegas: "muito distópico".
Esta empresa tornou-se obcecada com a IA.
Entretanto, um ex-funcionário, que saiu recentemente da Meta, afirmou que esta ferramenta é apenas mais uma forma de a empresa "enfiar a IA pela garganta abaixo a toda a gente".
Na sua perspetiva, neste momento, esta descrição aplica-se ao setor tecnológico em geral.
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