O Microsoft Copilot passa a organizar-se em torno de Home, Code e Autopilot, três áreas destinadas a concentrar num único ambiente tarefas que até agora estavam distribuídas por diferentes experiências da plataforma. A reorganização aproxima o assistente conversacional, os agentes autónomos e as ferramentas de criação de aplicações.

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A mudança não significa que todas estas capacidades sejam novas. A Microsoft já tinha apresentado parte das tecnologias utilizadas no Cowork e no Scout, agora integrado no Autopilot. A novidade está sobretudo na forma como estas ferramentas passam a fazer parte da mesma experiência e na tentativa de reduzir a necessidade de o utilizador escolher previamente que tipo de sistema pretende utilizar.

Segundo o anúncio oficial da Microsoft, o Home e o Code começam a chegar nas próximas semanas através do programa Frontier, enquanto o Autopilot deverá entrar numa pré-visualização privada mais alargada no final de setembro.

Home junta Chat, Cowork e aplicações do Office

O Home torna-se o principal ponto de entrada no Microsoft Copilot e reúne duas formas diferentes de trabalhar com a inteligência artificial.

O Chat mantém-se orientado para interações mais rápidas, como pesquisas, perguntas, criação de rascunhos ou consulta de informação. O Cowork destina-se a tarefas mais extensas que podem ser delegadas ao Copilot para execução de princípio a fim.

A Microsoft também integra Word, Excel e PowerPoint diretamente nesta área através do Office in Copilot. O utilizador poderá pedir a criação ou atualização de documentos, folhas de cálculo e apresentações editáveis sem ter de começar o trabalho numa aplicação separada.

A empresa pretende ainda reduzir progressivamente a distinção entre estes modos. Em vez de escolher Chat, Cowork ou outra ferramenta antes de iniciar uma tarefa, o utilizador deverá poder indicar o objetivo e deixar o Copilot selecionar a abordagem considerada adequada.

A evolução prolonga uma estratégia que a Microsoft tem vindo a desenvolver em torno de agentes de IA e automatização. O TecheNet já tinha abordado este percurso aquando do Microsoft Ignite 2024, quando a empresa começou a atribuir maior autonomia aos agentes integrados no seu ecossistema.

Code permite criar aplicações em linguagem natural

O Code acrescenta ao Microsoft Copilot uma área dedicada à criação de aplicações, dashboards, automatizações e fluxos de trabalho através de instruções em linguagem natural.

O utilizador descreve o que pretende construir e o sistema escolhe uma abordagem para gerar a solução. A Microsoft afirma que o Code utiliza a mesma tecnologia de base do GitHub Copilot e funciona num ambiente isolado, com controlos destinados a permitir a utilização dentro das organizações.

A possibilidade de criar aplicações desta forma, contudo, não surgiu com este anúncio. Em 10 de setembro, a Microsoft já tinha introduzido a criação de aplicações através do Copilot Cowork e Copilot Studio. A funcionalidade /app permite descrever uma aplicação em linguagem natural e gerar uma primeira versão que pode depois ser modificada através da conversação.

O Code representa, por isso, uma consolidação dessa abordagem numa área própria do Copilot, juntamente com uma infraestrutura destinada à execução do código criado.

A Microsoft apresentou também o Copilot Managed Runtime, que permite alojar aplicações e código gerados pelo Copilot dentro do ambiente Microsoft 365 da organização, sujeitos às políticas e mecanismos de governação definidos pelas equipas de TI.

Autopilot continua a trabalhar sem novos pedidos

O Autopilot é a componente mais autónoma da nova organização do Microsoft Copilot. Trata-se de um agente persistente que pode acompanhar conversas e canais, executar tarefas recorrentes e retomar projetos sem necessitar de uma nova instrução a cada etapa.

A tecnologia também não é inteiramente nova. A Microsoft apresentou em junho uma categoria de agentes denominada Autopilots e revelou o Microsoft Scout como o primeiro sistema deste tipo. O Scout foi então apresentado como um agente permanentemente ativo, capaz de trabalhar entre aplicações e executar ações dentro das permissões atribuídas pela organização.

O antigo Scout passa agora a assumir a designação Autopilot dentro da nova estrutura do Copilot.

Cada Autopilot dispõe de identidade, memória, computador virtual e espaço de trabalho próprios dentro da organização. Pode ligar-se a ambientes como Teams, Outlook, chats, canais e documentos, mas continua sujeito às permissões e políticas configuradas para o utilizador e para a empresa.

Essa distinção é importante. A capacidade de continuar a trabalhar sem intervenção constante não significa que o agente tenha acesso irrestrito aos sistemas da organização. A execução depende das credenciais, permissões e limites estabelecidos no ambiente Microsoft 365.

Microsoft amplia o contexto empresarial disponível para a IA

A reorganização do Copilot também inclui alterações na informação empresarial que os agentes podem consultar.

O Fabric IQ deverá fornecer contexto proveniente de dados empresariais ao Chat e ao Cowork, enquanto o Copilot Work IQ acrescentará informação do Dynamics 365 e da Power Platform. A Microsoft pretende, desta forma, permitir que o Copilot combine documentos, mensagens e reuniões com dados provenientes dos sistemas utilizados para gerir operações comerciais.

Na prática, uma tarefa como preparar uma proposta comercial poderá recorrer não apenas a documentos e e-mails, mas também ao histórico de oportunidades ou a pedidos de suporte existentes nos sistemas internos da empresa.

A companhia anunciou ainda um catálogo unificado para plugins da Microsoft, de parceiros e das próprias organizações, além de novas ferramentas de FinOps destinadas a acompanhar os custos associados à utilização de inteligência artificial.

Today e @Copilot chegam em pré-visualização

Outras funcionalidades ainda estão numa fase anterior de desenvolvimento.

O Today deverá entrar em pré-visualização privada durante outubro e funcionará como uma área que agrega informação de e-mail, calendário, Teams, reuniões e tarefas. O objetivo é destacar assuntos pendentes e preparar ações que o utilizador possa posteriormente rever.

A Microsoft também prepara uma nova experiência do @Copilot no Teams. Quando for chamado numa conversa, reunião ou canal, o sistema poderá utilizar o contexto disponível nesse espaço para recuperar decisões anteriores, identificar responsáveis ou localizar questões ainda por resolver. A pré-visualização privada está prevista para o final de setembro.

Home e Code começam a ser disponibilizados progressivamente nas próximas semanas através do programa Frontier. O Autopilot entra numa pré-visualização privada mais alargada no final de setembro, enquanto novas informações sobre a evolução do Microsoft Copilot deverão ser apresentadas durante o Microsoft Ignite, marcado para 17 a 20 de novembro.

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