A OpenAI vai recorrer à tecnologia textGrain para introduzir marcas de água no ChatGPT e no Codex na União Europeia. A medida, anunciada a 5 de outubro de 2026, entra em vigor de forma gradual ao longo das semanas seguintes e abrange os utilizadores europeus, com Portugal contemplado no calendário oficial.

Openai adota textgrain para marcar textos do chatgpt na ue
Imagem conceitual gerada por ia

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O textGrain insere um sinal estatístico invisível na seleção de termos de cada resposta. O mecanismo destina-se a apoiar ferramentas de deteção especializadas, mas a própria criadora do modelo admite que pequenas edições humanas reduzem de imediato a fiabilidade da identificação.

Como funciona o textGrain nas respostas do modelo

Ao contrário dos métodos visuais tradicionais, o textGrain não adiciona símbolos, carateres ocultos ou metadados aos ficheiros. O sistema altera de forma subtil a probabilidade de escolha de palavras ou fragmentos de palavras enquanto o modelo processa o texto.

Esta intervenção cria um padrão matemático impercetível para o leitor comum, mas legível por um descodificador próprio. Conforme a documentação técnica divulgada pela OpenAI
, o textGrain obteve resultados equivalentes ou superiores aos de abordagens concorrentes, onde se inclui a tecnologia SynthID da Google DeepMind.

A empresa sublinha, contudo, que os testes em laboratório não espelham a utilização diária. Respostas curtas ou com vocabulário muito condicionado, como deduções matemáticas e código informático elementar, oferecem pouca margem para a introdução deste sinal sem perda de coerência no conteúdo.

Troca de palavras reduz eficácia para 17%

A avaliação interna da OpenAI revela a principal fragilidade da tecnologia: a vulnerabilidade perante pequenas revisões de texto.

Num ensaio com amostras em inglês de aproximadamente 400 tokens, a simples substituição de termos por sinónimos causou uma quebra imediata na taxa de identificação:

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Fonte: Relatório técnico da OpenAI com respostas em língua inglesa de 400 tokens. Valores aproximados.

Estes dados confirmam que a marca estatística perde força com intervenções ligeiras, mesmo quando o conteúdo mantém a sua mensagem central.

A extensão do documento dita igualmente o sucesso da análise. Com uma margem prevista de falsos positivos de 1%, a taxa de sucesso atingiu cerca de 80% em textos de 200 tokens e subiu para 95% aos 400 tokens no domínio da psicologia.

A OpenAI não divulgou métricas sobre o comportamento do textGrain em português, pelo que a sua eficácia na nossa língua carece ainda de validação independente.

Marca estatística não comprova autoria de documentos

A deteção de uma assinatura matemática no texto não permite concluir que a peça foi integralmente redigida por uma máquina.

A OpenAI esclarece que o detetor apenas indica se um dos seus modelos gerou ou reescreveu excertos do documento. A ferramenta não mede o contributo humano na pesquisa, na revisão ou no aperfeiçoamento da estrutura. Da mesma forma, o sistema não associa o texto a contas de utilizador, conversas específicas ou instruções fornecidas na plataforma.

Esta salvaguarda assume particular relevância em ambientes profissionais, académicos e editoriais, onde a inteligência artificial serve com frequência de apoio instrumental sem anular o trabalho do autor.

Em sentido inverso, a ausência da marca também não atesta que o autor é humano. O ficheiro pode ter sofrido traduções, ter origem noutros modelos do mercado ou ter sido criado antes da entrada em vigor do textGrain. A OpenAI recorda ainda que a tecnologia não valida a veracidade dos factos nem estabelece titularidade de direitos de autor.

Cumprimento do AI Act e acesso restrito ao detetor

A introdução do textGrain surge como resposta direta às obrigações do Regulamento Europeu da Inteligência Artificial (AI Act). O artigo 50.º do diploma determina que os fornecedores de sistemas de IA devem marcar conteúdos sintéticos num formato legível por máquina, desde que a solução seja viável do ponto de vista técnico.

A medida alinha o tratamento de texto com a estratégia já adotada pela empresa noutros formatos. Em maio de 2026, a OpenAI integrou credenciais de conteúdo da iniciativa C2PA para imagens e aplicou o sistema SynthID a ficheiros de áudio.

O calendário de disponibilidade decorre de forma faseada:

  • Utilizadores europeus: o ChatGPT e o Codex passam a incluir o sinal estatístico de modo gradual nas próximas semanas.
  • Clientes da API: a marca de água fica disponível a nível global como opção voluntária, desativada por omissão nesta primeira fase.
  • Acesso à ferramenta de deteção: o detetor não terá lançamento público imediato. O acesso fica reservado a investigadores e entidades acreditadas, com vista a avaliar o risco de falsos positivos antes de uma eventual abertura geral.

A OpenAI anunciou ainda a intenção de publicar documentação técnica adicional e disponibilizar o código do textGrain em regime aberto, embora sem calendarização oficial para esse passo.

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