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Perante o aumento de gravações feitas às escondidas com óculos inteligentes, surgiu uma solução tão simples quanto inesperada: tocar música da Disney. O objetivo é aproveitar os rigorosos sistemas de deteção de direitos de autor do YouTube para impedir que os vídeos cheguem a ser publicados.

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Os óculos inteligentes com câmara integrada, como os Ray-Ban Meta, tornaram-se cada vez mais populares e, com eles, multiplicaram-se também os casos de utilização abusiva.
Conforme vimos anteriormente, há relatos frequentes de pessoas, especialmente mulheres, filmadas sem consentimento em espaços públicos, com os vídeos a serem depois partilhados online sem qualquer autorização.
Apesar de a Meta ter anunciado uma solução, a falta de ferramentas eficazes para impedir este tipo de comportamento motivou os utilizadores das redes sociais a improvisar.
A estratégia que tem circulado dita que quando alguém percebe que está a ser filmado sem consentimento deve começar a tocar música protegida por direitos de autor, preferencialmente da Disney.
Segundo a lógica por detrás da sugestão, as plataformas como o YouTube têm sistemas automáticos de deteção de conteúdo protegido, e a Disney é conhecida por proteger de forma muito agressiva a sua propriedade intelectual.
Ao incluir uma das suas músicas no áudio de fundo, o vídeo fica mais suscetível a ser assinalado e removido automaticamente.
Nas redes sociais, um utilizador disse até que "a música da Disney está mais protegida do que as mulheres."
Women are being advised to play Disney songs when they notice a man is recording them with Meta glasses without consent because Disney music is more protected than women
— 🤠 (@heavensbvnny) July 25, 2026
Nem sempre funciona...
Ainda que a ideia pareça engenhosa, não é propriamente nova, nem infalível.
- Em 2021, junto ao tribunal do condado de Alameda, em Oakland, um sargento do Gabinete do Xerife chegou a tocar a música "Blank Space", de Taylor Swift, no telemóvel durante um confronto com manifestantes, afirmando que podiam gravar à vontade, pois ele sabia que o vídeo não chegaria no YouTube.
- Em 2022, o Departamento de Polícia de Santa Ana, na Califórnia, abriu uma investigação depois de agentes terem sido apanhados a tocar canções de filmes da Disney, como Toy Story e Encanto, durante intervenções, para dificultar a publicação de gravações feitas por civis.
Apesar da tentativa de usar a estratégia, a mesma gravação, tal como outras em circunstâncias parecidas, continua disponível online, revelando uma falha importante.
De facto, os sistemas de deteção automática nem sempre conseguem identificar o conteúdo protegido, especialmente quando há filtros de ruído capazes de isolar a voz da música, separando os dois elementos e permitindo que o vídeo escape à remoção.
Assim sendo, tocar música da Disney pode dificultar a publicação de um vídeo, mas não é uma garantia de sucesso.

Necessidade de chegar tão longe é preocupante
Independentemente da eficácia real da técnica, o caso reflete uma preocupação crescente com a privacidade em espaços públicos.
O receio de ser filmado por pervert glasses (em português, óculos de pervertido), como já são apelidados nas redes sociais os óculos inteligentes usados para fins abusivos, tem levado cada vez mais pessoas a evitar interagir com quem os usa.
Além disso, o termo glasshole, uma junção pejorativa entre glasses e asshole (em português, óculos e idiota), voltou a ganhar força online.
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