A inteligência artificial está a transformar os smart glasses em dispositivos capazes de perceber constantemente aquilo que tens à tua volta. Mas câmaras sempre ativas levantam uma questão inevitável: o que acontece à privacidade das pessoas que aparecem nas imagens?
A Qualcomm acredita ter parte da resposta através da sua tecnologia Always-Sensing Camera. Em vez de entregar indiscriminadamente toda a imagem aos sistemas de IA, a solução pode esconder informação desnecessária, incluindo os rostos das pessoas presentes no enquadramento.
A abordagem foi apresentada no contexto da estratégia da Qualcomm para dispositivos pessoais com IA, onde câmaras, microfones e outros sensores passam a fornecer contexto permanente aos assistentes digitais.
A IA não precisa de reconhecer todos os rostos
A lógica por detrás da tecnologia é relativamente simples. Se utilizares uns smart glasses para perguntar à IA sobre aquilo que estás a ver, o sistema pode precisar de compreender os objetos e o ambiente à tua frente, mas isso não significa necessariamente que precise de identificar as pessoas que estão no mesmo local.
A Always-Sensing Camera da Qualcomm pode precisamente ocultar esses rostos antes de a informação ser utilizada como contexto pela inteligência artificial. Desta forma, o sistema mantém os elementos da imagem necessários para responder ao utilizador sem expor informação visual que não seja relevante para a tarefa.
Ziad Asghar, responsável pelas áreas de XR, wearables e Personal AI da Qualcomm, explicou que o objetivo passa por dar ao utilizador maior controlo sobre a sua privacidade. No caso dos rostos, a empresa considera que essa informação simplesmente não é necessária para muitas das tarefas realizadas pela IA.

Continua após a publicidade
Processamento local reduz a informação enviada para a IA
A estratégia passa também por fazer mais processamento diretamente no próprio dispositivo. A arquitetura da Qualcomm permite analisar apenas as partes de uma imagem necessárias para determinada tarefa, evitando que todo o conteúdo captado pela câmara tenha de ser tratado da mesma forma.
Isto torna-se particularmente relevante nos smart glasses. Ao contrário de um smartphone, que normalmente apontas deliberadamente para algo quando queres tirar uma fotografia, uns óculos podem ter uma câmara posicionada permanentemente na direção para onde estás a olhar.
É precisamente aqui que a combinação entre processamento local e filtragem da imagem pode fazer diferença. A IA continua a receber contexto visual, mas determinados elementos podem ser removidos antes de entrarem no restante processo.
Smart glasses colocam a privacidade no centro da discussão
A tecnologia não elimina, por si só, todas as preocupações associadas a dispositivos com câmaras sempre disponíveis. Indicadores de gravação, permissões, armazenamento de dados e a forma como cada fabricante implementa estas funcionalidades continuam a ser fatores importantes.
No entanto, a proposta da Qualcomm mostra uma mudança interessante na abordagem ao problema. Em vez de depender apenas de regras aplicadas depois de uma imagem ter sido captada, parte da proteção pode acontecer logo durante o processamento inicial da informação.
À medida que os assistentes de IA começam a ganhar olhos e ouvidos através de wearables, este tipo de tecnologia poderá tornar-se particularmente importante. Afinal, tornar a IA mais consciente daquilo que te rodeia é útil, mas isso não significa que tudo à tua volta tenha de fazer parte da conversa.
Outros artigos interessantes:
Publicidade

