Quase metade dos alunos já usa IA para estudar, mas Portugal está pior do que há 20 anos - Sem Enrolação

Quase metade dos alunos já usa IA para estudar, mas Portugal está pior do que há 20 anos

Quase metade dos alunos já usa IA para estudar, mas Portugal está pior do que há 20 anos

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Os resultados da mais recente edição do PISA já são conhecidos e indicam que, apesar de Portugal continuar estatisticamente próximo da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), os alunos portugueses de 15 anos tiveram o pior desempenho de sempre em Leitura, e o desempenho global do país é já o pior dos últimos 20 anos.

Rapariga sentada numa secretária em frente a um computador, a representar alunos

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O que é o PISA e o que mudou nesta edição

Acrónimo para Programme for International Student Assessment, o PISA é o maior estudo internacional de educação, promovido pela OCDE de três em três anos.

Na edição de 2025 participaram mais de 760 mil alunos de 91 países e economias, incluindo cerca de sete mil estudantes portugueses de 225 escolas.

Uma das grandes novidades desta edição foi a introdução de um quarto domínio de avaliação: a Aprendizagem no Mundo Digital, focada na resolução computacional de problemas.

O relatório dedica também particular atenção ao papel da Inteligência Artificial (IA) na sala de aula, um tema que ganhou peso nos últimos anos.

Portugal recua a níveis de 2006

Olhando para os números globais, os resultados portugueses "regressaram a valores próximos dos observados em 2006" nas três disciplinas tradicionais (Matemática, Leitura e Ciências), revertendo os ganhos que o país tinha conquistado entre 2000 e 2015.

Tanto a Leitura como a Matemática atingiram mínimos históricos:

  • Na Leitura, os 462 pontos são o pior resultado desde que Portugal entrou no PISA, em 2000.
  • Na Matemática, os 460 pontos ficam mesmo abaixo dos 466 obtidos em 2003, quando Portugal participava apenas pela segunda vez no estudo, tornando este o resultado mais baixo de sempre do país na disciplina.
  • Nas Ciências, a área mais resiliente, os 482 pontos mantiveram-se em linha com a média da OCDE.

No ranking internacional, Portugal ocupa agora o 26.º lugar em Leitura, o 29.º em Ciências e o 30.º em Matemática, com quedas de posições em Leitura e Matemática face ao ciclo anterior.

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IA na sala de aula já é rotina, mas nem sempre ajuda

Se há um tema que marca esta edição do PISA, é o uso da IA pelos estudantes. Em Portugal, 48% dos alunos já recorrem a chatbots de IA para estudar e fazer trabalhos, uma percentagem ligeiramente acima da média da OCDE (46%).

Contudo, os dados mostram que os alunos que usam chatbots de IA obtêm, em média, resultados 20 pontos mais baixos em Ciências do que os colegas que não recorrem a estas ferramentas.

A explicação passa, em parte, por aquilo que os investigadores descrevem como uma espécie de "preguiça metacognitiva", ou seja, quem usa IA tende a desenvolver menos autonomia na procura de soluções.

Curiosamente, este padrão não é universal: em vários países asiáticos, o uso de IA associou-se antes a melhores resultados, sugerindo que o contexto e a forma como a ferramenta é integrada nas aulas fazem toda a diferença.

A distração digital também foi avaliada: 28% dos alunos da OCDE dizem que os colegas se distraem com dispositivos digitais durante a maior parte das aulas de Ciências, e essa distração está associada a notas mais baixas.

Por isso, a organização recomenda um uso moderado e orientado da tecnologia, em especial para dar feedback e permitir prática mais personalizada, sem nunca substituir o raciocínio e a aprendizagem ativa dos alunos.

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Menos excelência e mais alunos com dificuldades

Um dos dados mais preocupantes do relatório é o aumento de alunos que não atingem o nível mínimo de proficiência. Nos últimos 10 anos, a percentagem de estudantes abaixo do nível 2, considerado o patamar básico de literacia, subiu 11 pontos percentuais, especialmente em Matemática e Leitura.

Entretanto, apenas 3% dos alunos portugueses são considerados "top performers" em Leitura, metade da média da OCDE (6%). Em Ciências e Matemática, a percentagem de excelência (6%) também fica abaixo da média da OCDE (7% e 8%, respetivamente).

Neste cenário, os investigadores concluíram que a escola portuguesa continua capaz de garantir um patamar mínimo à maioria dos alunos, mas tem cada vez mais dificuldade em produzir desempenhos de topo.

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