Elon Musk afirmou que a demanda por memória dos robôs humanoides vai superar a de todas as outras aplicações tecnológicas combinadas na Terra. A declaração, publicada no X, reacendeu o debate sobre uma possível escassez de componentes essenciais para a indústria de semicondutores.

O dono da Tesla respondeu a um usuário que havia citado um relatório da consultoria Counterpoint Research. A análise apresentava estimativas de consumo de memória que Musk classificou como “absurdas”. Para o empresário, as projeções subestimam os recursos necessários para colocar milhões de máquinas autônomas em funcionamento.

O que Musk disse sobre a demanda por RAM

Musk Senator
© Photo by Marc Piasecki/Getty Images

Continua após a publicidade


Em sua publicação, Musk sustentou que a necessidade de memória dos robôs “vai superar todo o resto na Terra”. Seu argumento é que essas máquinas precisam atuar no mundo físico, manipulando objetos e interagindo com o ambiente. Por isso, dependem de recursos computacionais instalados em seus próprios corpos.

O empresário também apresentou uma previsão ainda mais ambiciosa. Segundo ele, uma futura superinteligência artificial exigirá uma capacidade de processamento muito maior que a dos robôs. No entanto, Musk estima que quase 100% dessa infraestrutura acabará no espaço profundo, fora da Terra.

Na visão do executivo, a chamada inteligência artificial física representa uma mudança de escala. Em vez de apenas processar informações digitais, a IA passaria a executar tarefas diretamente no ambiente. Isso multiplicaria a demanda por memória e processamento.

A Counterpoint Research trabalha com uma projeção mais moderada. A consultoria estima que o consumo global de memória DRAM para robôs humanoides crescerá cerca de vinte vezes até 2030, passando de aproximadamente 8.300 terabytes para 172 mil terabytes. No mesmo período, a capacidade média por robô subiria de 19 GB para 39 GB.

Já Shay Boloor, estrategista-chefe de mercado da Futurum Equities, apresentou outro cenário com base nos números da própria Tesla. Se a empresa fabricasse dez milhões de unidades do Optimus por ano, cada uma com 72 GB de memória, a demanda chegaria a aproximadamente 720 petabytes anuais.

Boloor também destacou uma diferença entre os componentes. Os robôs utilizam memória de baixo consumo, conhecida como LPDDR. Já os centros de dados de inteligência artificial recorrem à HBM, uma modalidade de memória com alta largura de banda.

Por que um robô humanoide precisa de tanta memória?

Um robô humanoide precisa lidar com várias fontes de informação ao mesmo tempo. Câmeras de alta resolução, sensores de distância e sistemas táteis fornecem dados continuamente. A máquina deve interpretar esses sinais e reagir rapidamente às mudanças ao seu redor.

Para operar de forma autônoma em espaços físicos, portanto, o robô precisa de memória suficiente para sustentar esse processamento. Essa exigência ajuda a explicar as previsões de crescimento no consumo de RAM.

Apesar disso, a própria Tesla anunciou cortes na capacidade de memória de seus próximos chips. Em 1º de outubro, Musk informou que a empresa reduziria pela metade a RAM do AI5, para 72 GB de LPDDR5. No AI6, a redução seria de um terço, para 144 GB de LPDDR6.

O executivo justificou a decisão como uma forma de garantir componentes em grande escala para o Optimus e reduzir custos de produção.

Segundo Musk, o desempenho de um chip depende principalmente da largura de banda da memória, e não apenas de sua capacidade total. A largura de banda determina a velocidade de transferência dos dados. Ele afirmou que essa característica permaneceria inalterada nos dois processadores, apesar dos cortes na quantidade de RAM.

Como essa disputa pode afetar o preço dos PCs?

Programador Pc
© Sigmund – Unsplash

Continua após a publicidade


Na última apresentação de resultados trimestrais, Musk afirmou que as primeiras entregas do Optimus a clientes estão previstas para o fim de 2027. A linha de produção de Fremont precisaria de pelo menos mais um ano para atingir o ritmo de 20 mil unidades por semana.

Veículos especializados também noticiaram um possível primeiro pedido de aproximadamente cinco mil robôs. A Tesla, porém, não confirmou essa informação.

A perspectiva de expansão da robótica se soma a um problema que a indústria já enfrenta: a escassez de memória e o aumento dos preços desses componentes ao longo do último ano. Esse movimento afeta os custos de fabricação de notebooks, consoles e smartphones.

Se a produção de humanoides avançar na escala imaginada por Musk, ela poderá acrescentar pressão sobre o fornecimento. O impacto no preço do próximo computador, contudo, dependerá tanto da demanda real dos robôs quanto da capacidade da indústria de ampliar a oferta.

 

Veja todas notícias sobre Tecnologia

Publicidade