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A Nscale anunciou uma expansão massiva do seu centro de dados em Sines, num dos maiores investimentos em infraestrutura de Inteligência Artificial (IA) da União Europeia (UE).

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A empresa britânica de infraestruturas de IA vai ocupar a totalidade do segundo edifício do complexo Start Campus em Sines, instalando dezenas de milhares de novos processadores da NVIDIA ao serviço da Microsoft.
O anúncio reforça a posição de Portugal, e particularmente de Sines, como um dos destinos mais estratégicos da Europa para a IA em grande escala.
66 mil chips e quase 700 milhões de euros em infraestruturas
A expansão agora confirmada prevê a instalação de mais 66 mil processadores NVIDIA Vera Rubin NVL72, que juntar-se-ão às 12.600 unidades de processamento gráfico (em inglês, GPU) da geração Blackwell Ultra já anunciados em outubro para o primeiro edifício do complexo. As novas unidades serão entregues a partir do final de 2027.
Em termos financeiros, a Nscale vai investir um total de 695 milhões de euros:
- 465 milhões de euros no segundo edifício, com uma potência de 200 megawatts;
- Mais 230 milhões de euros em infraestruturas partilhadas, como equipamentos de arrefecimento.
Importa notar que este valor não inclui o custo dos próprios processadores NVIDIA Rubin, pelo que o investimento global será ainda superior, conforme noticiado pelo Expresso.

Segundo a própria NVIDIA, o NVIDIA Vera Rubin NVL72 unifica tecnologias de ponta da empresa, impulsionando a revolução industrial da IA em larga escala.
Os novos processadores Rubin oferecem uma maior eficiência energética face à geração Blackwell que equipa o primeiro edifício.
Cada unidade de energia consumida permite processar mais dados, uma vantagem crítica num contexto em que o crescimento da IA está a pressionar fortemente as redes elétricas em todo o mundo.
Portugal como "porta de entrada" para a IA europeia
O fundador da Nscale, Josh Payne, destacou que Sines "cria um dos ambientes mais avançados da Europa para infraestrutura de IA de alta densidade".
A escolha do local não é acidental, uma vez que a Start Campus já tem autorização para instalar até 1,2 gigawatts em Sines, oferecendo uma escala difícil de replicar noutro ponto do continente.
De facto, Brad Smith, presidente da Microsoft, já tinha revelado ao Jornal de Negócios que Portugal é um dos maiores destinos de investimento da empresa na Europa, tendo avançado, em novembro do ano passado, um total previsto de quase 10 mil milhões de euros para Sines.

A política energética portuguesa, a energia mais barata e a boa conectividade de banda larga foram apontadas como fatores decisivos para a escolha.
Sines dá casa a um megaprojeto
Fundado em 2020, o projeto Start Campus foi edificado sobre os terrenos da antiga central a carvão da EDP, em Sines, aproveitando a proximidade ao oceano para refrigeração e a capacidade elétrica libertada com o encerramento da central.
O plano total prevê seis edifícios até 2031, com um investimento global superior a 8,5 mil milhões de euros.
Entre as turbulências, destaca-se o licenciamento do centro de dados, que foi o foco da Operação Influencer, em novembro de 2023. Na altura, levou a dezenas de buscas e constituiu arguido o então ministro das Infraestruturas, João Galamba. A própria Start Campus depositou uma caução de 600 mil euros, que acabou por recuperar em 2024.
Apesar de tudo, o interesse das gigantes tecnológicas nunca abrandou e o projeto continua a avançar a bom ritmo, tornando Sines num dos principais hubs europeu de IA.
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