Para muitos adolescentes, TikTok e YouTube também funcionam como espaços de consulta sobre assuntos difíceis de conversar em casa. Em reportagem do El País, a psicóloga Ana Sierra destaca o risco de confundir identificação com informação confiável. Um criador pode parecer compreender uma experiência sem conhecer a realidade de quem assiste. Essa proximidade ajuda a explicar por que as plataformas ganham espaço entre as referências dos jovens. 

Influenciadores entram no círculo de referências

Aquele influenciador pode não existir e o Instagram finalmente decidiu fazer algo
© Lance Reis – Pexels

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Um estudo publicado em Psychology, Society & Education investigou o uso de redes sociais entre 548 estudantes de 10 a 13 anos, em 15 escolas das Astúrias, na Espanha.

Entre os participantes que responderam à pergunta sobre os perfis acompanhados, 67,6% indicaram influenciadores. Amigos e conhecidos apareceram com 59,8%, colegas de classe com 58,5% e familiares com 39,9%. Os estudantes podiam selecionar mais de uma opção.

Esses números mostram a presença dos criadores no cotidiano da amostra. Entretanto, seguir um perfil não significa confiar nele mais do que nos pais. A pesquisa também não permite concluir que todos os adolescentes mantenham a mesma relação com as plataformas.

Os resultados variaram conforme a rede. No YouTube, videogames e humor tiveram destaque. No Instagram, os participantes acompanhavam principalmente amigos e conhecidos. Essa diferença reforça a necessidade de observar tanto a plataforma quanto o conteúdo consumido.

Os autores defendem uma formação digital que ajude os menores a reconhecer informações pouco rigorosas e estilos de vida idealizados. Também destacam a importância de famílias conhecerem os conteúdos que chegam aos filhos.

Aprender a avaliar o que aparece na tela

Tiktok Transforma ComentáriOS Com áudiOS, Enquetes E Carrosséis De Fotos
© Shutterstock / Tada Images

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As orientações da Associação Americana de Psicologia recomendam ensinar adolescentes a questionar a precisão e a representatividade das publicações. Isso inclui compreender como imagens podem sofrer manipulação e como conteúdos espalham desinformação.

A entidade também chama atenção para comparações relacionadas à aparência. Pesquisas associam esse tipo de uso a uma imagem corporal mais negativa e a comportamentos alimentares problemáticos, especialmente entre meninas.

O acompanhamento precisa considerar a maturidade de cada jovem. Entre 10 e 14 anos, a associação recomenda que adultos conversem sobre publicações, ofereçam orientação e revisem o uso das redes. Esse cuidado deve respeitar as necessidades de privacidade, com autonomia crescente conforme o adolescente desenvolve habilidades digitais.

Sono, atividade física e relações presenciais também precisam de espaço. Quando o uso das plataformas interfere nessas áreas, o impacto merece atenção. A recomendação vai além de contar minutos: envolve entender o que o jovem faz, encontra e deixa de fazer durante esse tempo. 

O apoio fora das redes continua essencial

A adolescência envolve mudanças rápidas na maneira de pensar, sentir e se relacionar. Segundo a Organização Mundial da Saúde, ambientes acolhedores na família, na escola e na comunidade ajudam a proteger o bem-estar nessa fase.

Dormir bem, praticar atividades físicas e desenvolver habilidades para lidar com emoções fazem parte dessa proteção. As redes entram em uma vida que já reúne diferentes necessidades e experiências.

Por isso, acompanhar o uso digital também significa preservar oportunidades de conversa e convivência. Uma resposta encontrada na tela pode abrir uma discussão, enquanto adultos próximos ajudam a avaliar seu significado no contexto de cada adolescente. 

 

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