Um AirTag escondido num livro revelou um segredo da Amazon - Sem Enrolação

Um AirTag escondido num livro revelou um segredo da Amazon

Um AirTag escondido num livro revelou um segredo da Amazon

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Um jornalista escondeu um AirTag da Apple dentro de um livro raro para descobrir o destino das encomendas em massa de livros usados feitas pela Amazon.

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Avançada pela 404 Media, uma investigação recente tem como protagonista o jornalista Emanuel Maiberg, cofundador da publicação.

Depois de detetar um aumento invulgar de encomendas de livros em grandes quantidades, por compradores que não regateavam preços, o que é raro neste mercado, Maiberg decidiu ir mais fundo.

Através da plataforma Biblio, um vendedor recebeu um pedido de cerca de mil livros e aceitou colocar discretamente um AirTag num deles, fornecido pelo próprio jornalista. O nome do vendedor foi mantido em anonimato, por receio de represálias comerciais.

O percurso do livro foi o seguinte: saiu de um aeroporto na Califórnia rumo a Milwaukee, passou duas semanas num armazém de distribuição perto de Kenosha, no estado do Wisconsin, seguiu de camião até ao Colorado, e terminou num armazém da Amazon em Las Vegas, conhecido como LAS8.

Armazém da Amazon

O que se passa dentro do armazém da Amazon

À partida, o destino não fazia sentido, pois o LAS8 é uma unidade de impressão sob encomenda, onde a Amazon imprime e envia livros à medida que são pedidos.

Contudo, o sinal do AirTag apontava para uma zona específica do edifício, identificada por funcionários da Amazon como uma operação distinta, com o nome de código VGT3.

À entrada, um logótipo com um T-Rex a segurar um livro aberto. Segundo relatos de trabalhadores num fórum interno, uns cortam as lombadas dos livros, outros ficam encarregues de digitalizar os códigos de barras.

Curiosamente, os vendedores contactados pelo jornalista notaram que os exemplares mais raros, os anteriores à existência do ISBN, nunca faziam parte destas encomendas.

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Conforme explicámos anteriormente, o ISBN é o International Standard Book Number, um código de identificação internacional para livros, composto por 13 dígitos que funcionam como o "bilhete de identidade" de uma obra literária.

Segundo a 404 Media, este detalhe sugere que os compradores estão a percorrer, de forma sistemática, os números de série atribuídos a livros já catalogados.

Porquê treinar IA com livros antigos?

Questionada sobre o caso, a Amazon respondeu com a mesma declaração já dada à 404 Media: a empresa "compra livros através de canais comerciais para ajudar a desenvolver e melhorar os produtos e serviços" dos seus clientes.

No entanto, não confirma, nem desmente, qualquer ligação a Inteligência Artificial (IA).

Ainda assim, os indícios parecem apontar nessa direção. Livros raros, com pouco ou nenhum mercado de revenda, tornam-se especialmente valiosos como dados de treino por nunca terem sido digitalizados, e por serem anteriores à explosão da IA generativa, o que significa que o texto não foi contaminado pelas máquinas.

Além disso, cortar a lombada de um livro para o digitalizar foi o procedimento que, em junho de 2025, um tribunal federal norte-americano considerou uso justo num processo que envolveu a Anthropic, desde que o exemplar físico fosse comprado e destruído no processo, substituindo-se por uma cópia digital.

A mesma decisão, no entanto, considerou ilegal o uso de livros obtidos ilegalmente através de sites de pirataria, uma questão que a Anthropic acabaria por resolver com um acordo de 1,5 mil milhões de dólares.

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Uma técnica de investigação com história

Usar rastreadores para seguir objetos e descortinar práticas escondidas não é uma novidade no jornalismo.

Em 2014, a organização Basel Action Network começou a colocar rastreadores GPS dentro de impressoras e monitores antigos, para perceber o destino real do lixo eletrónico entregue para reciclagem nos Estados Unidos. Os resultados levaram, inclusive, a acusações federais contra uma empresa de reciclagem.

Mais tarde, a ABC News repetiu a técnica com sacos de plástico deixados em pontos de recolha da Walmart e da Target, e a rádio pública finlandesa fez o mesmo com roupa usada doada para reciclagem têxtil.

Hoje em dia, a diferença está na simplicidade da tecnologia, tendo em conta que, em vez de rastreadores caros com plano de dados móveis, basta um AirTag, disponível a partir de 35 euros, que comunica a sua localização através de qualquer iPhone que passe perto.

 

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