Veteranos da tecnologia estão a ser empurrados para a reforma antecipada - Sem Enrolação

Veteranos da tecnologia estão a ser empurrados para a reforma antecipada

Veteranos da tecnologia estão a ser empurrados para a reforma antecipada

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Há uma razão para profissionais experientes da tecnologia estarem a reformar-se mais cedo do que planeavam. Não é a saúde, nem o dinheiro, nem sequer o cansaço habitual de décadas de carreira.

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Uma carreira de 30 anos travada pela IA

Depois de mais de três décadas na indústria tecnológica, Jennifer Kerns, de 60 anos, decidiu pendurar as botas, em março. Trabalhou 25 anos como contratada na Microsoft e, mais recentemente, como gestora de programa no GitHub, subsidiária da gigante de Redmond.

A decisão de sair surgiu porque quase toda a sua cadeia de liderança tinha saído nos últimos anos, o filho mais novo estava prestes a deixar de estar coberto pelo seguro de saúde da família, e a IA tornou-se o "foco exclusivo" da empresa, nas suas palavras.

A frustração de Kerns não nasceu, contudo, do medo de ser substituída, nem de dificuldade em aprender a nova tecnologia.

Não acredito em [IA]. Acho que é uma bolha que vai estourar.

Admitiu, conforme citado pela Fortune.

Apesar de curioso, Kerns junta-se a quase metade dos americanos que se reformam mais cedo do que planeavam, segundo um estudo da Allianz Life publicado em maio, que revela que 42% dos trabalhadores se reformam antecipadamente, muitas vezes por razões fora do seu controlo.

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Porque a tecnologia é diferente

Segundo Craig Copeland, diretor de investigação em benefícios de reforma no Employee Benefit Research Institute, há normalmente três motivos para uma reforma antecipada:

  1. Deterioração da saúde;
  2. Necessidade de cuidar de um familiar;
  3. Mudanças no local de trabalho.

É este terceiro fator que, nos últimos anos, tem empurrado cada vez mais trabalhadores tecnológicos para fora das empresas.

De acordo com Steve McConnell, consultor de planeamento de reforma, o setor tecnológico tem a particularidade da frequência com que a natureza do trabalho muda.

Em apenas 30 anos, assistiu-se ao surgimento dos computadores pessoais, da Internet, do mobile, da cloud e, agora, da IA. Cada uma destas ondas obriga os profissionais a decidir se querem apanhar a boleia ou ficar para trás.

O dilema

Kevin Estes, consultor financeiro sediado em Seattle, avisou que a decisão de sair agora pode não ter volta. Ou seja, quem deixar o setor corre o risco de não conseguir "voltar ao carrossel" mais tarde.

Ainda assim, muitos trabalhadores acreditam que a IA está sobrevalorizada e que, apesar de trazer alguns ganhos de produtividade, pode não cumprir o que promete quando aplicada à criação de código ou de sistemas complexos.

A somar a isto, a Microsoft lançou, em abril, o seu primeiro programa de reforma voluntária, dirigido a trabalhadores nos Estados Unidos cuja soma de idade e antiguidade atingisse ou ultrapassasse os 70 anos, um plano que, segundo relatos, abrangeu cerca de 7% dos funcionários da empresa, o equivalente a mais de 8700 pessoas.

Mais de 30% dos elegíveis acabaram por aceitar a oferta, segundo dados divulgados pela própria Microsoft, em julho.

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O impacto para a indústria

Para Estes, estes planos de reforma voluntária são, no fundo, medidas de poupança, pois permitem trocar salários elevados de trabalhadores experientes por mão de obra júnior mais barata.

Segundo Kerns, há outro problema: à medida que empresas como a IBM triplicam as vagas para recém-formados, pode faltar mentoria por parte de profissionais seniores, cada vez mais escassos.

McConnell vai mais longe e teme que esta fuga de talento sénior custe caro à própria evolução da IA. Afinal, a perda de engenheiros experientes pode significar a perda de conhecimento crítico sobre os riscos da tecnologia, numa fase em que mais se precisa de "travões" bem pensados.

Maior número de reformados traz vantagens

Segundo Robert Laura, cofundador da Retirement Coaches Association, os reformados continuam a gerar valor económico, com a AARP a estimar que os adultos com mais de 50 anos geraram 12,5 biliões de dólares (em inglês, $12.5 trillion) em atividade económica em 2024, uma fatia que deverá quase duplicar até 2060.

Além disso, muitos reformados não param de trabalhar, deixando apenas a carreira principal para se dedicarem a algo que lhes dá mais prazer, seja noutra área, seja em voluntariado. Só em 2024 esta transição representou 1,2 biliões de dólares em cuidados não remunerados nos Estados Unidos.

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