
Continua após a publicidade
As câmaras inteligentes apoiadas por Inteligência Artificial (IA), instaladas nas estradas da Grécia para detetar infrações rodoviárias, estão a gerar forte polémica. Um relatório recente revelou que entre 90% e 95% das infrações identificadas automaticamente acabaram por ser consideradas incorretas após verificação humana.

Continua após a publicidade
Grécia: apenas 400 multas válidas em mais de 5.500 detetadas
Segundo dados divulgados pelas autoridades gregas, das cerca de 5.500 alegadas infrações registadas pelo sistema, apenas cerca de 400 foram confirmadas como válidas após análise da polícia. As restantes acabaram por ser rejeitadas devido a erros de interpretação das imagens ou do contexto da condução.
Entre os casos anulados encontravam-se aproximadamente 1.300 alegadas utilizações de telemóvel ao volante e cerca de 3.800 infrações relacionadas com excesso de velocidade.

Sombras, ângulos e objetos confundem a IA
Especialistas apontam várias limitações técnicas dos sistemas de visão computacional utilizados nestas câmaras. Em muitos casos, sombras, reflexos, posições dos ocupantes ou simples objetos transportados pelos condutores foram interpretados incorretamente como infrações.
As autoridades identificaram situações em que um objeto comum foi confundido com um telemóvel ou em que gestos normais dos condutores foram classificados como utilização indevida de dispositivos móveis. Também houve problemas na deteção do uso do cinto de segurança e em medições de velocidade.
Falta de contexto preocupa juristas
Para vários especialistas em direito, o principal problema destes sistemas é a incapacidade de compreender o contexto de cada situação. Ao contrário de um agente de trânsito, a IA não consegue avaliar circunstâncias excecionais ou situações de emergência que possam justificar determinado comportamento do condutor. (AI Weekly)
A elevada taxa de erros levou as autoridades gregas a reforçar a revisão manual de todas as infrações antes da emissão definitiva das multas.

Grécia: alerta para a utilização da IA na fiscalização
O caso grego surge numa altura em que vários países europeus estão a investir em sistemas automáticos de fiscalização rodoviária. Apesar das promessas de maior eficiência e capacidade de monitorização, os resultados obtidos na Grécia demonstram que a tecnologia ainda está longe de substituir totalmente a supervisão humana.
A experiência mostra que a utilização de IA em processos com impacto legal direto exige mecanismos rigorosos de validação, sob pena de milhares de cidadãos serem confrontados com multas injustificadas.
Saiba mais sobre Inteligência Artificial
Publicidade






