ChatGPT, Gemini, Claude e dezenas de outras ferramentas disputam espaço nas empresas. Mas, enquanto gestores procuram descobrir qual inteligência artificial é a melhor, funcionários já utilizam diferentes plataformas, muitas vezes sem autorização. Essa diferença entre as regras corporativas e a realidade do trabalho está criando novos riscos de segurança. Especialistas alertam que o verdadeiro desafio não é escolher uma tecnologia vencedora, mas aprender a administrar várias delas.
Por que não existe uma inteligência artificial melhor para todas as tarefas?
A corrida pela inteligência artificial criou uma pergunta recorrente entre empresas e profissionais: qual ferramenta oferece os melhores resultados?
Para Daniel Falcón, CEO da consultoria Neo Consulting, a resposta depende da atividade que precisa ser realizada.
Durante entrevista ao jornal peruano Gestión, publicada em 6 de novembro de 2026, o executivo explicou que diferentes sistemas apresentam vantagens específicas e que concentrar todas as operações em uma única plataforma pode limitar os resultados.
Modelos como ChatGPT, Claude e Gemini podem ser utilizados para analisar documentos, desenvolver códigos, produzir relatórios e resolver problemas complexos. Entretanto, seu desempenho varia conforme a versão, o tipo de tarefa e as condições de utilização.
Ferramentas integradas ao Microsoft 365, Google Workspace ou Salesforce também oferecem vantagens para organizações que já trabalham nesses ambientes.
Para tarefas repetitivas e de grande volume, modelos menores podem representar alternativas mais econômicas. Já atividades envolvendo imagens, áudio e vídeo podem exigir sistemas especializados.
A recomendação de Falcón é que empresas considerem um conjunto de duas ou três soluções, escolhidas conforme suas necessidades.
Essa estratégia também reduz a dependência de um único fornecedor e permite comparar custos, desempenho e requisitos de segurança.
Funcionários estão usando IA escondidos das empresas

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Um dos principais problemas identificados pelos especialistas é o crescimento da chamada shadow AI, expressão utilizada para descrever ferramentas de inteligência artificial empregadas sem aprovação ou supervisão das organizações.
Segundo uma pesquisa da Okta citada pela Neo Consulting, 52% dos trabalhadores entrevistados admitiram utilizar ferramentas não autorizadas.
O levantamento também revelou que 58% dos executivos relataram pelo menos um incidente de segurança, ou uma situação próxima disso, relacionado à inteligência artificial no último ano.
Os resultados encontram respaldo em outras pesquisas.
Um estudo internacional divulgado pela PagerDuty em junho de 2026 identificou que 66% dos 1.250 profissionais entrevistados haviam utilizado ferramentas de IA no trabalho mesmo acreditando que isso contrariava as políticas de suas empresas.
Entre os participantes, 34% afirmaram ter compartilhado informações de clientes com ferramentas públicas, enquanto 31% relataram inserir dados financeiros ou documentos corporativos confidenciais.
Esses percentuais representam os entrevistados, não necessariamente todos os trabalhadores do mercado.
O risco é significativo porque informações inseridas em serviços externos podem ficar sujeitas a políticas de armazenamento, processamento e acesso que a empresa desconhece.
Proibir a inteligência artificial pode aumentar os riscos?
Diante das ameaças, algumas organizações optam por bloquear completamente o uso de ferramentas de IA.
Entretanto, Falcón argumenta que proibições generalizadas podem incentivar funcionários a procurar alternativas por conta própria.
O resultado é paradoxal: uma política criada para proteger informações pode reduzir a visibilidade da empresa sobre o uso real da tecnologia.
A alternativa defendida pelo executivo é oferecer ferramentas aprovadas, acessíveis e suficientemente úteis para atender às necessidades dos profissionais.
Isso não significa liberar indiscriminadamente todas as plataformas.
Empresas precisam definir quais informações podem ser compartilhadas com sistemas externos, quais devem permanecer em ambientes privados e quais não podem ser processadas por inteligência artificial.
Também é importante estabelecer permissões de acesso, registros de utilização e procedimentos para verificar respostas automatizadas.
Em atividades envolvendo decisões financeiras, dados pessoais ou informações estratégicas, a supervisão humana continua essencial.
Empresas adotam IA, mas poucas conseguem transformar isso em lucro

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A expansão da inteligência artificial não significa necessariamente que as organizações estejam obtendo benefícios proporcionais aos investimentos.
Dados da McKinsey citados na reportagem original indicam que 88% das organizações pesquisadas utilizam inteligência artificial em pelo menos uma função, mas somente 44% conseguiram ampliar sua utilização para toda a empresa.
A dificuldade está em transformar experimentos isolados em processos confiáveis, economicamente sustentáveis e integrados ao trabalho cotidiano.
Uma pesquisa da IBM publicada em junho de 2026 ouviu 2 mil executivos de tecnologia e revelou que 77% consideravam que a adoção da IA estava avançando mais rapidamente do que a capacidade de governança de suas organizações.
Apenas 11% afirmaram estar completamente preparados para a expansão prevista dos agentes de inteligência artificial.
Esses agentes representam uma nova etapa da tecnologia. Diferentemente dos chatbots tradicionais, podem executar sequências de tarefas, consultar sistemas e realizar determinadas ações com menor intervenção humana.
Isso aumenta as possibilidades de automação, mas também exige controles mais rigorosos sobre permissões, custos e consequências de possíveis erros.
O que muda para os profissionais brasileiros?
A discussão também interessa ao mercado brasileiro, especialmente em setores como tecnologia, finanças, comunicação e serviços corporativos.
Para os profissionais, conhecer várias ferramentas pode ser útil, mas dominar profundamente uma ou duas tende a oferecer uma base mais consistente do que experimentar superficialmente dezenas de plataformas.
A capacidade de formular boas instruções, avaliar resultados e identificar informações incorretas continua sendo fundamental.
Para as empresas, o desafio envolve capacitação, políticas claras e indicadores que permitam medir os benefícios reais da tecnologia.
A tendência é que o diferencial competitivo deixe de ser simplesmente possuir acesso à inteligência artificial.
O mais importante será saber escolher a ferramenta adequada, combinar diferentes sistemas e garantir que suas respostas e ações permaneçam sob controle.
Em outras palavras, o futuro do trabalho pode não pertencer a quem utiliza mais inteligência artificial, mas a quem consegue utilizá-la com mais critério.
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