A Organização das Nações Unidas vai lançar, a 22 de outubro, um fórum internacional dedicado aos riscos da IA militar e às suas consequências para a paz e a segurança. A iniciativa pretende reunir governos, especialistas, empresas tecnológicas e representantes da sociedade civil para discutir a utilização de sistemas de IA em operações militares e decisões de segurança.

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O fórum integra o Centro de Excelência sobre IA, Paz e Segurança do Instituto das Nações Unidas para a Investigação sobre Desarmamento (UNIDIR), criado em junho de 2026. O objetivo é estabelecer um espaço permanente de diálogo sobre tecnologias cuja aplicação militar avança mais depressa do que os mecanismos internacionais destinados a acompanhar os seus riscos.
IA militar vai além das armas autónomas
O debate sobre a inteligência artificial na defesa tem-se concentrado frequentemente nas armas autónomas, capazes de executar determinadas funções sem intervenção humana direta. No entanto, a utilização da tecnologia já abrange outras áreas das operações militares.
Os sistemas de IA podem apoiar a análise de informações, a identificação de alvos, o reconhecimento, as operações cibernéticas e a avaliação de ameaças. Também podem acelerar processos de decisão que, tradicionalmente, dependem da análise humana.
Segundo a Associated Press, o novo fórum pretende abordar estas aplicações, incluindo as possíveis consequências da utilização de inteligência artificial em sistemas relacionados com armas nucleares.
Uma das principais preocupações prende-se com a redução do tempo disponível para avaliar informação durante situações de crise. Se um sistema identificar incorretamente uma ameaça ou produzir um alerta falso, a rapidez da resposta poderá dificultar a intervenção humana antes de uma decisão militar.
O risco não se limita ao funcionamento isolado dos algoritmos. Também envolve a forma como os seus resultados são interpretados pelos responsáveis militares e integrados nos sistemas de comando e controlo.
ONU alerta para a redução do controlo humano
Robin Geiss, diretor do UNIDIR, alertou, numa conferência de imprensa realizada a 20 de outubro, que os ciclos de decisão militar estão a aproximar-se da velocidade das máquinas, o que reduz a margem disponível para o julgamento humano.
A preocupação estende-se ao domínio nuclear, onde uma interpretação incorreta de informações ou sinais de alerta pode ter consequências particularmente graves.
Na sua intervenção oficial nas Nações Unidas, Geiss explicou que a incerteza sobre a evolução da autonomia dos sistemas militares constitui, por si só, um problema que exige cooperação internacional.
O responsável também destacou a necessidade de envolver as empresas tecnológicas. As decisões tomadas durante o desenvolvimento dos sistemas, desde a seleção dos dados de treino até aos testes e à assistência após a instalação, podem influenciar a fiabilidade e a previsibilidade das aplicações militares.
Esta participação é relevante porque parte das tecnologias utilizadas na defesa tem origem em empresas privadas, cujos produtos e modelos podem ser adaptados a diferentes contextos operacionais.
Fórum pretende aproximar governos e indústria tecnológica
O programa oficial do UNIDIR confirma que a sessão inaugural terá lugar na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, entre as 13h00 e as 14h45, hora local, de 22 de outubro.
O encontro é organizado em colaboração com a Suíça e o Paquistão, no âmbito dos trabalhos da Primeira Comissão da Assembleia Geral das Nações Unidas, responsável pelas questões de desarmamento e segurança internacional.
Além do fórum, o centro pretende desenvolver orientações para a utilização responsável da inteligência artificial pela indústria, promover a investigação sobre os riscos de proliferação destas tecnologias e apoiar os países na definição de políticas nacionais.
A iniciativa não cria novas obrigações jurídicas para os Estados nem estabelece um tratado internacional sobre armas autónomas. O seu papel será facilitar o diálogo, produzir conhecimento técnico e contribuir para o desenvolvimento de orientações e futuras medidas de governação.
A capacidade de influência do fórum dependerá, em grande medida, da participação dos países com maior capacidade militar e das empresas que desenvolvem as tecnologias utilizadas nestes sistemas.
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