A Oracle anunciou a expansão da sua infraestrutura de inteligência artificial com processadores da Google, Cerebras e SambaNova, numa estratégia que alarga as opções disponíveis na Oracle Cloud Infrastructure (OCI). A empresa pretende oferecer diferentes arquiteturas de processamento para treino e inferência de modelos de IA, com as primeiras integrações previstas para 2027.
A diversificação não representa um afastamento da NVIDIA. Pelo contrário, a Oracle confirmou também planos para expandir os sistemas Vera Rubin para uma escala de vários gigawatts. As duas decisões mostram como a empresa procura aumentar a capacidade dos seus centros de dados e, simultaneamente, reduzir a dependência de uma única arquitetura de processamento.
Google leva os seus processadores TPU à Oracle Cloud


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Uma das principais novidades é a integração das Tensor Processing Units (TPU) da Google na infraestrutura da Oracle. Estes processadores foram desenvolvidos especificamente para tarefas de aprendizagem automática e podem executar tanto o treino de modelos como operações de inferência.
Segundo o anúncio conjunto da Oracle e da Google, a OCI deverá tornar-se a primeira plataforma de cloud de grande escala, fora da Google, a disponibilizar estes processadores.
A integração está prevista para 2027, com um aumento progressivo da capacidade ao longo dos anos seguintes. A Oracle ficará responsável pela infraestrutura física, incluindo energia, refrigeração e redes dos centros de dados.
Para os clientes empresariais, esta mudança poderá permitir a escolha entre diferentes arquiteturas sem necessidade de contratar diretamente a infraestrutura da Google. No entanto, as vantagens económicas dependerão dos preços, das configurações e das características de cada aplicação, informações que ainda não foram totalmente divulgadas.
Cerebras e SambaNova reforçam as alternativas para inferência
A Oracle também anunciou acordos para integrar processadores especializados em inferência, a fase em que os modelos de inteligência artificial produzem respostas a partir dos pedidos recebidos.
A Cerebras desenvolve processadores de grandes dimensões que utilizam uma arquitetura denominada wafer-scale, concebida para executar operações de IA com elevada capacidade de processamento.
A parceria anunciada com a Cerebras prevê a disponibilização desta tecnologia na OCI em 2027. O objetivo é responder às necessidades de aplicações que exigem tempos de resposta reduzidos, nomeadamente assistentes de IA e sistemas capazes de executar tarefas em várias etapas.
A SambaNova, que conta com o apoio da Intel, deverá integrar a oferta da Oracle através dos seus sistemas SN50. A empresa ainda não indicou uma data específica para a disponibilização desta tecnologia.
A distinção entre treino e inferência ajuda a compreender a estratégia. Enquanto o treino exige grandes quantidades de capacidade computacional para desenvolver os modelos, a inferência representa o processamento necessário para os utilizar. À medida que aumenta o número de aplicações e utilizadores, os custos associados a esta segunda fase tornam-se particularmente relevantes.
A NVIDIA mantém uma posição dominante no mercado de aceleradores para IA, mas a inferência oferece oportunidades a fabricantes com arquiteturas especializadas. A entrada da Cerebras e da SambaNova na OCI poderá aumentar a concorrência, embora ainda não existam dados suficientes para comparar os custos e o desempenho destas soluções em condições equivalentes.
NVIDIA Vera Rubin continua no centro da expansão
A diversificação anunciada não altera a importância da NVIDIA nos planos de crescimento da Oracle.
As duas empresas confirmaram a expansão dos sistemas Vera Rubin NVL72 para uma capacidade de vários gigawatts, destinada a suportar treino de modelos avançados, inferência e aplicações baseadas em agentes de inteligência artificial.
A Oracle anunciou igualmente a disponibilidade geral dos sistemas Vera Rubin NVL72 e dos processadores NVIDIA Vera na sua plataforma cloud. Esta disponibilidade não deve ser confundida com a expansão planeada para vários gigawatts, cuja execução decorrerá ao longo do tempo.
Outra alteração envolve a infraestrutura de rede. Segundo a Reuters, alguns sistemas baseados em processadores NVIDIA passarão a utilizar componentes de rede Oracle Acceleron, desenvolvidos internamente, em alternativa a determinados componentes da NVIDIA.
Esta decisão permite à Oracle exercer maior controlo sobre parte da infraestrutura que liga os processadores e os sistemas de armazenamento. Em centros de dados dedicados à IA, a capacidade de movimentar grandes volumes de informação entre servidores influencia diretamente a utilização dos recursos computacionais.
Investimento de até 95 mil milhões de dólares mantém dúvidas
A expansão da infraestrutura implica compromissos financeiros consideráveis. A Oracle mantém uma previsão de despesas de capital entre 90 e 95 mil milhões de dólares para o exercício fiscal de 2027, que abrange o conjunto dos seus investimentos e não apenas os acordos agora anunciados.
A dimensão destes compromissos já suscitou preocupações entre as agências de notação financeira. Conforme noticiou o TecheNet numa análise sobre a dívida associada à infraestrutura de IA, a S&P Global reduziu, em julho, a notação de crédito da Oracle para BBB-, o nível mais baixo da categoria de investimento, devido às pressões financeiras e à incerteza sobre a rentabilidade futura.
As empresas não divulgaram os valores dos novos contratos, nem a Oracle apresentou um plano detalhado para financiar as aquisições de equipamentos.
De acordo com a Reuters, a Oracle afirmou anteriormente que os seus clientes estão a assumir uma parcela crescente dos custos associados aos processadores. Esta possibilidade pode reduzir parte das necessidades de financiamento direto, mas não permite determinar o impacto financeiro dos novos compromissos.
A escala da expansão também coloca exigências ao nível da energia, refrigeração e construção de centros de dados. A capacidade anunciada em gigawatts representa uma dimensão de infraestrutura planeada, não a potência computacional já instalada ou disponível para utilização.
Com as novas parcerias, a Oracle passa a preparar uma oferta de infraestrutura de IA que combina processadores NVIDIA, Google, Cerebras e SambaNova. A disponibilidade das TPU da Google e dos sistemas Cerebras está prevista para 2027, enquanto o calendário da SambaNova permanece por definir.
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