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O Papa Leão XIV, o primeiro pontífice norte-americano da história, prepara-se para apresentar aquele que será o primeiro grande documento do seu papado, e o tema escolhido não podia ser mais atual: a Inteligência Artificial (IA).

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Intitulada Magnifica Humanitas (em português, "Humanidade Magnífica"), a encíclica foi assinada a 15 de maio e será apresentada publicamente, no Vaticano, a 25 de maio.
O documento foca-se na "proteção da pessoa humana na era da [IA]" e dirige-se aos 1,4 mil milhões de católicos em todo o mundo. As encíclicas são uma das formas mais elevadas de ensinamento papal, e servem habitualmente para definir as prioridades do pontífice e assinalar os grandes desafios da sociedade.
Curiosamente, a escolha do dia 15 de maio para a assinatura é simbólica: há exatamente 135 anos, o Papa Leão XIII assinava a sua encíclica mais marcante, dedicada à Revolução Industrial e aos direitos dos trabalhadores.
Assim como o seu antecessor respondeu às transformações económicas e sociais do século XIX, Leão XIV responde agora à revolução tecnológica do século XXI.
Anthropic no Vaticano
Num gesto pouco habitual, a encíclica não será apresentada apenas por cardeais.
O cofundador da Anthropic, Christopher Olah, estará presente na cerimónia ao lado de teólogos e dos cardeais Víctor Manuel Fernández e Michael Czerny.

Atualmente, a Anthropic encontra-se envolvida numa disputa judicial com a administração de Donald Trump devido a questões relacionadas com a ética da IA.
A presença do Papa na apresentação, algo pouco comum neste tipo de eventos, é vista como uma estratégia de comunicação deliberada.
Segundo Andrea Vreede, correspondente do canal público holandês NOS no Vaticano, citado pelo The Guardian, se forem só os cardeais a falar, ninguém presta atenção. No entanto, com o Papa na sala, todas as câmaras estarão lá.
O que esperar do documento
Segundo os analistas, a encíclica não deverá adotar um tom catastrofista, mas sim de cautela construtiva.
Assim, é esperado que Leão XIV se pronuncie contra o uso da IA em contextos de guerra e armamento autónomo letal, e que defenda a centralidade da dignidade humana face ao avanço tecnológico.
O documento deverá também abordar os direitos dos trabalhadores num mundo cada vez mais automatizado, e apelar a uma regulação mais rigorosa da tecnologia.
De acordo com Christopher White, investigador de Georgetown e autor de uma biografia recente sobre o pontífice, o Vaticano tem estado atento a estas questões há vários anos, mantendo diálogo regular com empresas como a Microsoft e a Google.
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