
Continua após a publicidade
Um estado norte-americano está a apostar em tecnologia de videovigilância inteligente para travar infrações na estrada. As câmaras conseguem identificar condutores distraídos, sem cinto ou em excesso de velocidade, mesmo a alta velocidade.

Continua após a publicidade
O Mississippi aprovou um plano para instalar câmaras equipadas com Inteligência Artificial (IA) capazes de detetar, em tempo real, uma série de infrações de trânsito, desde o uso do telemóvel ao volante até à falta de cinto de segurança.
A iniciativa tem gerado reações distintas. Para os defensores, trata-se de uma ferramenta essencial para reduzir acidentes. Os críticos, por sua vez, veem nela mais um passo perigoso rumo a uma sociedade de vigilância constante.
Contrato milionário para controlo do tráfego
Apesar da polémica, o conselho do Departamento de Serviços de Tecnologias de Informação do Mississippi aprovou um contrato exclusivo que permite ao Departamento de Segurança Pública do estado (DPS) alugar sistemas móveis de fiscalização à empresa Acusensus, a mesma que já fornece tecnologia semelhante ao estado vizinho do Arkansas, nomeadamente em zonas de obras.
O acordo, com a duração de três anos, está avaliado em cerca de 2,052 milhões de dólares e será financiado através de fundos federais.
Segundo o DPS, os sistemas serão montados em reboques e colocados em zonas de maior sinistralidade, áreas de obras na via pública e outros pontos onde a presença policial tradicional é mais difícil de assegurar.
Tecnologia capaz de "ver" a 300 km/h
De acordo com as informações disponíveis, estas câmaras conseguem captar imagens nítidas, sem qualquer desfoque, de condutores a usar o telemóvel, sem cinto de segurança colocado, ou a transportar crianças sem a devida cadeira de segurança, mesmo a velocidades que podem chegar aos 300 km/h.
Sempre que o sistema deteta uma potencial infração, envia automaticamente as imagens e os dados recolhidos para um agente posicionado mais à frente, que pode mandar parar o veículo e atuar em conformidade.

Já existem câmaras assim na Europa?
Na Grécia, está em curso um projeto-piloto com câmaras de IA para detetar uso do telemóvel, falta de cinto e excesso de velocidade.
No entanto, os resultados levantam dúvidas sobre a fiabilidade do sistema. Conforme informámos, um relatório recente revelou que entre 90% e 95% das infrações identificadas automaticamente acabaram por ser consideradas incorretas após verificação humana.
Mais avançados estão o Reino Unido, Espanha e França, onde já se realizam testes avançados com dispositivos deste tipo, gerando milhares de multas automáticas com base no cruzamento de dados de imagem.
Em Espanha e França, especificamente, circula já um radar móvel que ficou conhecido como "radar Cybertruck", pela semelhança estética com o veículo da Tesla.

Segundo a informação que avançámos, também, o dispositivo é capaz de detetar uso do telemóvel ao volante, falta de cinto de segurança, distância de segurança insuficiente, ultrapassagens ilegais e excesso de velocidade em várias faixas ao mesmo tempo.
Em Portugal, para já, ainda não há radares com IA a emitir multas automáticas por uso do telemóvel ou falta de cinto.
Ainda assim, no âmbito do protocolo "Visão Zero", celebrado entre a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) e a Lusoponte, o Governo já anunciou a instalação de mais radares de velocidade média, um sistema de deteção automática de incidentes por vídeo com IA, e um projeto-piloto para controlo do uso de cinto de segurança e telemóvel ao volante na Ponte Vasco da Gama.
Leia também:
Saiba mais sobre Inteligência Artificial
Publicidade






